O senhor destaca em seu novo trabalho o perigo do Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) e do quanto somos vulneráveis a ele, principalmente as crianças. Como é possível prevenir esse tipo de problema em um mundo tão violento? O horror e a violência são realmente mais frequentes hoje em dia ou temos essa impressão devido a uma maior divulgação desses fatos?
Prevenir o TEPT é estar atento aos danos e perdas que as crianças venham a sofrer, seja um simples brinquedo que não se acha até um abuso físico, sexual, bullying, etc. O horror vivido e o horror visto nas mídias também pode provocar o TEPT. Mas, o mais terrível é não entender que mentiras, decepções e jogos, como a Alienação Parental, também podem promover esse quadro em crianças.

No caso da depressão entre os jovens, estatisticamente ela é a principal causadora do aumento do suicídio nos últimos anos? Os dados que apresenta no livro (de que aumentou em 60% o número de suicídios entre os jovens nos últimos 12 anos) são referentes a pesquisas apenas com jovens brasileiros?
A depressão pode se tornar uma causa do suicídio, mas o mais frequente é a "angústia" gerada pelas exigências da sociedade pós-moderna, como o "corpo perfeito, dinheiro, ser parte dos pop's" e as crises familiares, onde os jovens perdem a chance de levar seu choro, seu lamento, sua raiva e suas angústias, pois muitos pais não ouvem essa angústia como dor. E é justamente essa dor que criará a "ideação suicida". Matar-se é livrar-se de uma dor.

O senhor é a favor que a mídia divulgue os casos de suicídio entre jovens, até como forma de preveni-los? O senhor diz no livro que o fato da mídia divulgar os casos de homicídio também é uma forma de incentivar o suicídio...
A questão não é a divulgação, é "como" se divulga. Nos homicídios, se mostra o grande alívio e a grande indiferença dos matadores; tenho receio que a divulgação de suicídios passe por isso também.

Como proteger e melhorar a autoestima dos nossos jovens?
Primeiro, ter alguém por perto para escutar suas angústias, queixas, lamentos, raivas, medos... Pode ser um pai, uma mãe, um parente, um professor ou um amigo. A escuta é a maneira mais importante de se ajudar a autoestima dos jovens.

Recentemente, tivemos os casos de suicídio do ator e comediante americano Robin Williams e do humorista brasileiro Fausto Fanti, que chocaram o público. Em muitos comentários, as pessoas diziam "nossa, como puderam fazer isso, eles tinham tudo...". O senhor concorda que esse tipo de comentário demonstra a falta de percepção de que o ser humano e as emoções são muito mais complexos do que imaginamos e que vai além do conforto material e sucesso?
As pessoas imaginam que poder e dinheiro podem aliviar as dores das pessoas, mas esse é um grande engano, um engodo que uma sociedade comete. Ser feliz não tem nada a ver com ser poderoso ou ter bens.

Por que as pessoas ainda têm tanto receio em procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica? É falta de informação ou preconceito?
Penso que é mais por medo de olhar para os "dragões internos" do que por preconceito. Mas há muita falta de informação também.

No livro, o senhor pontua sobre a diferença entre distimia e transtorno bipolar e do quanto o primeiro caso é subnotificado. Qual seria a orientação mais adequada para profissionais de saúde, pais e educadores?
A orientação é que prestem atenção nos distúrbios do humor diferenciando mudanças de humor (depressão, irritabilidade, atos sabotadores) do grande distúrbio que é a bipolaridade, onde temos uma componente psicótica muito importante, que é a "euforia exagerada", onde o sujeito perde a noção da realidade, o que não ocorre nas distimias.

A possibilidade de fazer livros em uma linguagem tão acessível, que surgiram após uma série de entrevistas, é uma forma mais direta de chegar ao público em geral. Como avalia essa experiência?
Realmente, quando o leitor comum ou mesmo o profissional toma contato com um
escrito "falado", como são meus livros vindos da entrevista com jornalistas. É mais tocante e mais fácil de absorver os conceitos quando se retira das palavras o hermetismo que geralmente acontece nos escritos científicos.

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