Qual foi a melhor definição/descrição que você leu ou ouviu sobre sua obra?
  Gosto de quando dizem que eu tenho o que dizer. Mas o elogio de um jornalista francês, que me chamou de bailarina das letras, virou um mimo que eu cultivo cheia de riso.
E a pior?
  Não dei ouvidos.
Em seu segundo livro, ‘‘Vésperas’’, as personagens/protagonistas são escritoras famosas (Virgínia Woolf, Clarice Lispector, Sylvia Plath, etc), que aparecem nas narrativas em situações fictícias. Pode-se afirmar que as autoras eleitas são suas principais influências literárias?
  Algumas delas serviram para mais do que isso: são influências de vida. Minha maneira de escrever e de pensar literariamente foi sendo tecida a partir do diálogo feito ao longo das leituras da obra dessas autoras. Talvez sejam uma espécie de família de eleição, que eu tento não desapontar.
Como é sua rotina de produção literária? Mantém disciplina de horário e tempo dedicado ao ofício?
  Sim, enquanto escrevo passo o maior tempo possível reclusa, brigando contra tudo o que me afasta da escrita. Desligo o telefone, digo que vou e não apareço, fecho a porta do quarto acintosamente, só falo sobre o que estou escrevendo. Nada mais tem importância. São quase dois anos assim. Mas todos à volta já sabem, nem estranham. É isso ou tenho a sensação de não estar dando o máximo ao livro.
Seus livros foram publicados no exterior em países como França, Portugal e Argentina. Como surgiu particularmente o interesse de editores da Croácia por sua obra?
  A França é um país muito influente no mercado literário europeu. Os catálogos das editoras são, assim, uma espécie de guia para os editores dos outros países. A partir do catálgo da Gallimard, na qual publico pelo selo Joelle Losfeld, o editor croata contatou minha editora no Brasil, a Rocco, e aí o contrato foi fechado. Tenho orgulho de dizer que fui ao lançamento em Zagreb, onde fui muito bem recebida, com trufas brancas e tudo.
Depois de ‘‘Vésperas’’, você publicou o romance ‘‘Corpo Estranho’’, que também tratava do tema da finitude. Haveria ainda um terceiro volume que fecharia a trilogia sobre a morte. Este está a caminho? Aliás, quais são seus projetos literários para os próximos anos?
  Estou com um livro no prelo, que deve chegar às livrarias na terceira semana de agosto. Chama-se ‘‘A vendedora de fósforos’’, e se não tem a finitude como tema central volta a abordá-la indiretamente. Não há muito para onde fugir: a literatura e a finitude são o meu pathos literário. O título do livro faz referência a um conto de Hans Christian Andersen chamado ‘‘A pequena vendedora de fósforos’’. Como se sabe, a protagonista do conto infantil morre ao final da história. O resto eu não revelo.

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