ENTREVISTA A idade da razão
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de abril de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Depois de anos tentando reconhecimento na tevê, Paula Burlamaqui garante que finalmente se sente valorizada. A atriz, que interpreta a mãe solteira Tereza na novela ''O Profeta'', precisou chegar aos 40 anos de idade para ser admirada como atriz. Tanto que com sua voz pausada e firme assegura que está em seu melhor momento na carreira, com um contrato longo com a Globo e a tão sonhada estabilidade financeira. Por ironia do destino, essa segurança veio depois que encarnou a despachada Islene em ''América'', que se desdobrava para cuidar de uma filha cega. ''Nunca quis ter filhos, mas foi a maternidade que me trouxe reconhecimento profissional na tevê'', destaca ela, que tem contrato até 2008 com Globo.
A Tereza teve a filha roubada ainda pequena. Mesmo depois que a criança foi encontrada, sua personagem continua muito sofrida. Como foi compor um papel tão dramático?
A gente sempre torce pelo personagem. Mas, no caso dela, acho muito complicado tirar uma criança de nove anos de uma família estabilizada. As autoras estão escrevendo de um jeito que a própria Tereza já percebe isso e passa a priorizar a felicidade da menina. Deve ser muito duro descobrir que, depois de anos de luta, tudo foi em vão, já que a garota não quer ficar com a mãe biológica.
Apesar de não ser mãe, seus últimos dois personagens se destacaram pela relação delicada com as filhas. Como você avalia a semelhança entre esses papéis?
Desde ''América'' isso acontece. As pessoas me chamam de supermãe porque eu gravava demais com a Bruna Marquezine e agora minha personagem enfrenta esse drama. É engraçado porque nunca tinha interpretado uma mãe. Foi uma novidade para mim. Em ''América'' foi mais fácil, eu e a Bruna passávamos várias horas do dia juntas e acabamos criando uma amizade antes mesmo de começarem as gravações. Essas coincidências me dão um pouco de vontade de ser mãe. A gente se entrega nessas emoções mesmo sabendo que é um personagem, que aquilo não existe.
Você nunca pensou em ter filhos?
Nunca quis. Fui casada sete anos com um marido e outros sete com outro, mas nunca desejei formar esse tipo de família. Acho que passei um longo período de sacrifícios, sem grana, procurando um lugar ao sol. Não tive fases confortáveis financeiramente. O tempo passava, eu me separava e não tinha mais pai para isso. Batalhei muito na minha profissão e me tornei egoísta. Me dava mais prazer trabalhar do que tentar bancar a mãe e a dona-de-casa. Ainda penso nisso, mas agora já tenho 40 anos.
Como você lida com a idade?
Olha, se você quiser, pode escrever 30, tá? Ah, eu lido muito mal com isso. Não dá para fingir que ter 40 anos é o máximo. Envelhecer é horrível, ainda mais para quem trabalha com a imagem. Agora estou bem, mas quando começar a ficar tudo velho, caído e enrugado, aí eu sei que vou sofrer. Sou muito vaidosa, passo mil cremes, já fiz plástica, vou à praia igual a uma E.T., sou paranóica mesmo! A velhice só tem um lado bom, que é o da maturidade e da sabedoria. Você sabe que o mundo não vai acabar se perder um amor ou não der tempo de fazer alguma coisa.
Você foi ''Garota do Fantástico'' há 20 anos. De que forma o concurso mudou sua vida?
A primeira coisa que aconteceu foi uma viagem para a Itália, onde gravei um comercial. Fui contratada por uma empresa de cosméticos e fiquei um ano como garota propaganda exclusiva. Ganhei uma grana boa com os comerciais na Europa e uma jóia linda, mas vendi. Nunca liguei para isso e queria mesmo era um carro. Comprei, me mudei para o Rio e fui tentar a vida ao lado do meu marido. Nessa época tinha só 20 anos. A fama é descartável. Quando a ficha caiu, comecei a estudar dança, canto lírico, dicção, interpretação, tudo! Estou em um mercado competitivo e tem muita cara bonita por aí. Gravo hoje com a Paola Oliveira, que tem metade da minha idade e é bem mais bonita que eu. Se eu não me preparasse, seria engolida por ela.


