O show "Troco Likes" faz parte da turnê do novo disco. O que o você traz nesse trabalho?
Esse disco é uma vontade minha de me aproximar um pouco mais do público no Brasil que vem me acompanhando há alguns anos. E essa turnê, portanto, é de lançamento, manifestação das músicas desse disco. Mas tem momentos em que também relembro músicas do repertório antigo. Todas as músicas foram inéditas para esse disco que eu comecei a organizar ao final da turnê passada. No início deste ano eu as compus e fomos para o estúdio em seguida. O lançamento foi em junho e, então, começamos a turnê pelo Brasil.

Todas as músicas do disco são em português. Por que a mudança? Isso o aproximou mais do público no Brasil?
Sim, muito. No meu disco passado eu já tinha algumas músicas em português e tive uma resposta muito bonita por parte do público. Senti e consegui ter um contato real de como as músicas estão impactando as pessoas e as pessoas pela música. E, com aquelas músicas em português, eu percebi o carinho das pessoas por elas, como cantavam de um jeito diferente. Então, foi uma vontade minha de celebrar isso.

O processo da escrita da música em português é muito diferente do inglês?
É totalmente diferente. Fora a questão da língua em si, do som das palavras e a musicalidade das palavras, tem a cadência das sílabas, que é muito distinta, além de toda a questão de características culturais e sociais que estão por trás daquela língua. Quando aciono a língua inglesa para pensar, falar, cantar, eu tenho os trejeitos deles de usar as expressões como manifestação cultural deles. Da mesma forma, o português tem todo nosso histórico daqui que vem junto com a palavra. Em certos momentos, existem jeitos mais interessantes em português ou em inglês.

Todas as composições desse disco são em português?
Tem apenas uma em inglês que tornou-se a faixa bônus, que é a última. Essa música é um caso bem claro disso que eu estava falando. Eu não a vejo existindo em português, pois tem um jeito muito particular que soa essa mensagem em inglês e que, para mim, funciona de um jeito coerente com a minha personalidade que gosta de falar na língua inglesa.

E com relação à melodia? Você traz uma nova roupagem e experimentos de sons?
Existe uma coisa muito forte no meu trabalho que é minha relação com o violão. Minhas músicas são inspiradas, baseadas e gravadas em cima dessa minha relação com o instrumento. E também acaba sendo esse registro um retrato mais atual do que estou vivendo, da sonoridade que estou buscando. "Troco Likes", nesse sentido, não difere tanto das coisas que vinha fazendo. Mas, tem o detalhe da própria língua que comentei que, de certa forma, reflete, sim, na melodia. Porque a musicalidade é diferente, assim como a divisão rítmica, sílabas, a colocação das palavras. Então, tudo isso transformou minha maneira de criar as melodias também.

Essa retomada da língua nativa significa que você desistiu da carreira internacional?
Não, de maneira nenhuma. Uma coisa não anula a outra. Eu me dediquei para fazer esse disco até mesmo como um processo de experimento para eu trabalhar de uma forma que fosse menos óbvia, do jeito que eu vinha trabalhando que era escrever em inglês. Acho que se abriu a oportunidade de fazer as duas coisas. De forma alguma estou fechando a possibilidade de escrever em inglês e continuar fazendo shows fora do Brasil.

Você tem diversas músicas que foram emplacadas em novelas. Com as letras em português você acredita que isso possa ampliar-se ainda mais?
Não faço ideia. Foi uma felicidade muito grande meu trabalho ter sido visto como uma boa opção para trilha de novelas. Uma coisa eu posso dizer: estou muito curioso para ver uma música em português numa novela. Acho que teria uma repercussão ainda maior, porque tem todo o público que assiste às novelas.

Como vai ser o show em Londrina?
Esse show vai ser voz e violão, que tem sido o modelo que tenho levado para grande parte das cidades. É um formato que gosto muito, me aproxima das pessoas e me deixa no comando do que está acontecendo. Como estou sozinho no palco, isso me permite estar atento a tudo: ao silêncio das pessoas, ao movimentos. Rola uma conexão mais intensa.

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