Entrevista
Quais foram os critérios para a escolha do repertório em meio a tantas canções fundamentais compostas por Caetano e Gil?
Todo o processo criativo foi muito intuitivo, bastante sensível. O que falou mais alto, desde o começo, foi a minha afinidade com as canções. Por isso, incluí no show músicas que me tocam de alguma forma, que marcaram momentos importantes na minha vida. Quis fazer uma reverência bastante verdadeira. São músicas que me sinto bem em cantar.
Dar voz a músicas que já se tornaram clássicos abre margem para comparações, positivas ou não. Teve receios em relação a isso?
Não. Como disse, é uma homenagem. Todas as fases da sua criação foram muito especiais. O fato de serem clássicos ou hits não foram fundamentais nessa escolha. Tudo esteve sempre rodeado por muito zelo, muito cuidado. E, para o DVD, foi importante poder reunir tantos artistas e amigos que fazem parte da história do Gil e do Caetano e que são artistas que também admiro muito.
Pretende continuar dando vazão a essa vertente mais ligada à MPB em álbuns futuros?
Sim, claro. Esse trabalho abriu uma porta que já estava buscando há algum tempo. As pessoas passaram a conhecer um viés da minha arte que está muito além do que estão, de certa forma, acostumadas. Na minha formação tenho muitas influências e, a partir de agora, quero explorá-las ainda mais. Vou sempre buscar realizar projetos especiais dentro dessa perspectiva.
Pensa em homenagear outros compositores gravando songbooks? Quem seriam os possíveis homenageados?
Agora não tenho nada concreto, mas certamente algumas surpresas virão nesse sentido.
Você, Daniela e Ivete são consideradas rainhas da música baiana, uma terra que tem grandes cantoras como ícones, a exemplo de Gal, Bethânia e Rosa Passos. Afinal, o que é que as baianas têm?
As baianas são todas rainhas! A Bahia tem uma tradição musical muito forte, tanto na formação cultural quanto na própria história do Brasil. Negros, índios e brancos sempre se comunicaram por meio do canto. A primeira escola de música surgiu na Bahia, por exemplo. E isso passa pela questão da própria formação do povo. A Bahia é musical e isso a torna, até hoje, celeiro de grandes artistas. Essa musicalidade percussiva, com uma dinâmica sonora muito ampla não se dissocia de quem nasce por aqui.
Quais talentos baianos contemporâneos merecem destaque, na sua opinião?
Penso que não cabe a mim destacar talentos. Eles estão aí, vivos, ativos, as pessoas podem observar a dimensão de cada um. A obra de cada artistas traz a dimensão da força do seu trabalho. Alguns nomes dessa geração mais nova que tenho conhecido e que se destacam pelo grande trabalho que têm são Tiganá Santana, Márcia Castro, Baiana System, Mariene de Castro, o grupo Nossos Baianos e o cantor Russo Passapusso.





