Quais foram os momentos mais marcantes em quase seis décadas de carreira artística?
Acho que foi a criação do projeto do programa Som Brasil, que estreou na Rede Globo em 1981. Naquela época os estudiosos diziam que a única música genuinamente brasileira era o samba. Eu achava que existiam outras expressões artísticas regionais que também traduziam os brasileiros. O programa nasceu com a missão de dar espaço à música, à prosa e ao verso dos brasileiros que vivem no interior de todas as regiões do Brasil. E apesar de estar sendo apresentado na TV Cultura há quase dez anos e de ter passado por outras emissoras, o programa continua com o mesmo formato, pois tem cumprido seu objetivo e conquistou o coração do povo brasileiro.

Com a morte de Inezita Barroso o Brasil ficou ainda mais carente de pessoas focadas o lado interiorano e genuíno do País. Acredita que no futuro haverá outras pessoas levantando essa bandeira?
Acho que sim. Ainda existem muitas pessoas interessadas em divulgar a cultura genuinamente brasileira.

Como o senhor avalia a atual safra da música sertaneja?
Acho que as pessoas usam erroneamente essa nomenclatura pois sertanejo refere-se ao sertão do País. Portanto apenas artistas como Luiz Gonzaga, Fagner e Jackson do Pandeiro, entre outros conterrâneos poderiam ser assim rotulados. Na realidade as duplas sertanejas de hoje em dia copiam o country americano e se vestem de caubói para vender disco e ganhar dinheiro. Nada existe de cultura brasileira nesse tipo de trabalho.

Existe algum artista que o senhor ainda sonha em levar ao seu programa?
Não. Todos os artistas que gostaria de convidar já participaram do programa.

Já chegou a pensar em se aposentar?
Nunca. Essa é uma ideia que nem passa pela minha cabeça. Enquanto a voz e a cabeça estiverem boas vou continuar cantando e contando causos. Pretendo trabalhar enquanto der, até o fim da minha vida.

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