Londrina é citada no livro? Qual é a sua relação com a cidade?

A cidade é citada no livro. É onde eu moro. Não existe um capítulo para Londrina porque é uma história que conta meus 40 anos de televisão com os personagens que fizeram parte dessa minha caminhada. Mas Londrina é bastante citada.

O senhor continua morando aqui?

Continuo dividindo meu tempo entre Londrina e Europa. Tenho uma base na Europa pra poder girar por lá. Agora nesse semestre tenho eventos que acontecem na Europa a cada dois, três dias e não dá pra ficar indo e voltando. Mas a minha residência no Brasil é em Londrina, onde moro há 15 anos.

Como foi feita a seleção dos fatos abordados no livro?

Na realidade é um livro que fala sobre os bastidores, Copas do Mundo, Copas das Confederações. As pessoas que me deram os primeiros empregos, na Rádio Gazeta, na TV Bandeirantes e depois na Globo. Ou seja, toda a minha carreira, todos esses anos de trabalho. As histórias foram surgindo naturalmente.

Houve censura em relação a algum tema? Ficaram muitos fatos de fora?

Quem iria censurar? É claro que têm histórias que você acha que não devem entrar. É um livro que é pra ser lido prazerosamente e não pra falar mal das pessoas. É um livro do bem. Talvez seja por isso que esteja em tão pouco tempo já na lista dos mais vendidos em todo o País. A primeira edição já esgotou. Vi que faltava alguma coisa e consegui incluir junto ao editor já para a segunda edição. Mas sempre vai faltar algo ou alguém. Afinal, são 40 anos de histórias.

O que foi mais difícil de narrar, a derrota do Brasil para a França em 1998 ou a vitória da Alemanha por 7 a 1 no ano passado?

O 7 a 1, é evidente. A vitória da França foi uma coisa normal do futebol. Aquela Seleção Brasileira fez três finais seguidas maravilhosas em Copas do Mundo. Acho que aquela final de 1998 mexeu com lado emocional do time. Naquele dia a França jogou melhor, e é normal que o time que joga melhor ganhe. Agora na derrota de 7 a 1, Brasil não perdeu de 7 a 1, perdeu de 10 a 1 [referindo-se a decisão do terceiro lugar disputada dias depois quando o Brasil perdeu da Holanda por 3 a 0]. Então alguma coisa errada tinha. Talvez tenha faltado a noção exata de que a seleção não estava bem e não poderia ter jogado daquela forma. É a pior derrota do futebol brasileiro e a que fica na história. E não há possibilidade de revanche.

Existe algum esporte que nunca narrou e gostaria de narrar?

Eu coloquei no livro que a única coisa que eu lamento é que não pude transmitir a grande carreira vitoriosa do Guga porque naquele momento o tênis já não era um esporte da TV aberta. Isso me fez falta nesses 41 anos de carreira.

Você pensa em escrever outros livros contando fatos que ficaram fora deste primeiro?

Primeiro vamos esperar. Está tão bom esse momento: o fato de em uma semana o livro estar entre os mais vendidos e em 20 dias ser o mais vendido do País. Acho que esse não é o momento de se dispersar e pensar em outro livro. Não é uma biografia. É uma coisa que eu gostaria de escrever, abrir o peito e contar como foram esses 40 anos. É a história da vida de um cara que foi esportista a vida inteira, fez faculdade de educação física e esteve a vida inteira dentro do esporte. Vendeu livros, embalagens plásticas e após vencer um concurso de rádio construiu uma carreira como um vendedor de emoções. Daqui alguns anos a gente volta a pensar nisso de novo.

A Desirée Soares é citada no livro?

Ela é muito citada no livro. Ela modificou a minha vida nestes 15 anos de casamento. Se existe qualquer unidade entre os meus filhos do primeiro e do segundo casamento e da minha família com a dela, ela é responsável por isso. No livro a coloco no lugar que ela merece: é a mulher da minha vida.

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