Você vem participar de um evento em homenagem ao escritor francês Marquês de Sade. Qual o lugar desse autor em sua leituras e formação intelectual?
O lugar da perversão e do desregramento. Sade, principalmente na narrativa de Justine, me despertou para toda a literatura libertina e libertária. Isso salva uma vida.

Seu novo livro, "O Livro das Mulheres Extraordinárias", reúne crônicas que homenageiam 127 mulheres. Como surgiu a ideia de escrevê-lo?
Já havia homenageado, em crônicas avulsas, várias musas da pornochanchada, por exemplo. Daí pensei no projeto de estender as cantadas literárias a atrizes, cantoras, artistas contemporâneas da TV, do cinema etc. Assim nasceu o livro.

Por que 127? Qual foi o critério para escolhê-las? Qual o elemento em comum entre elas?
Escrevi sobre 300, mas tinha que cortar pra caber no volume imaginado pela editora. O critério foi tesão ou admiração. Em alguns casos os dois na mesma mulher.

Depois de entregar os originais para a editora, lamentou ter esquecido de alguma mulheres?
Sim, várias. Jurava, por exemplo, que havia incluído a Tainá Muller. Só quando peguei o livro vi que, por um erro meu de edição, o texto ficou em outro arquivo. E era um texto caliente, lírico e erótico.

Como foi a reação das mulheres eleitas - e de seus respectivos companheiros(as)?
Os maridos gostaram mais do que elas. A reação geral foi muito boa. Nunca fui tão amado e mimado em lançamento de livro como agora.

Como entusiasta das mulheres, está feliz com a possibilidade de ter duas mulheres disputando o segundo turno das eleições presidenciais? Já definiu seu voto?
É motivo sim de contentamento. E ainda tem a Luciana Genro com aquele sotaque lindo, aquele "tu" que erotiza a campanha. Devo votar na mais dura, a Dilma, gosto de mulher brava. Sade explica.

Além das mulheres, outra sua grande paixão é o futebol, sobre o qual escreve uma coluna no caderno de esportes de um jornal de circulação nacional. Qual a sua explicação para o fracasso da Seleção na Copa? Está otimista ou pessimista com a volta de Dunga ao comando técnico?
Ainda estou catatônico com aquela tragédia. O fracasso foi resultado de anos de uma CBF cega e pilantra. Dunga? Que azar o nosso. Que falta de imaginação, que pobreza de espírito. Zero esperança.

O caso dos gritos racistas da torcida do Grêmio provocou um grande debate a respeito de manifestações preconceituosas em estádios de futebol. Uma corrente de pensamento defende que os xingamentos, incluindo "macaco" e "viado", fazem parte dos costumes das torcidas e deveriam ser tolerado nos estádios. Outra corrente, politicamente correta, combate tais provocações entre torcidas e defende sua abolição dos campos de futebol. Qual a sua posição sobre o assunto?
O episódio do Aranha não entra no debate do politicamente correto. Isso é racismo mesmo, injúria racial, crime. A punição foi até branda.

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