Você é um crítico feroz da onda "Politicamente Correto". Acredita que as patrulhas do pensamento e das ideias fazem mais mal à civilidade do que os próprios males que seus ativistas julgam combater?
Acho que a onda PC faz mal ao pensamento público, que sempre incorre em riscos típicos da liberdade. A onda PC nos deixará brochas nas ideias e na criatividade. Submeter a criatividade intelectual e estética à onda PC, nada tem a ver com querer fazer bem ao mundo, apenas a destruir quem discorda de você. E mais, não confio em ninguém que quer salvar o mundo.

Por que você é tão odiado pelas feministas?
Porque gosto de mulher.

Você tem publicado um livro atrás de outro, algo paradoxal em se tratando de obras de reflexão filosófica, que, em tese, exigiriam uma lenta gestação. Como é seu processo de criação de textos? Qual é a sua relação com a filosofia institucionalizada no mundo acadêmico?
Sou professor em graduação na FAAP (Comunicação) e em mestrado e doutorado na PUC-SP. Tenho quatro livros apenas acadêmicos e vários artigos, além de participar de congressos e ter grupo de pesquisa no CNPq e orientar mestrados e doutorados há anos, logo, sou um animal da academia. Quanto aos meus últimos livros, de aforismas, são fruto de todos os anos, de leitura regular e sistemática. Não são tratados, mas sim livros que visam ampliar a discussão. O que se acha estranho não são os livros (que são completamente sustentados no estudo regular), mas sim o fato que fazem sucesso. E na academia, se você é lido por muitos, querem dizer que você não pensa a sério.

No livro "A Filosofia da Adúltera - Ensaios Selvagens", você assinala a certa altura que "enquanto não perdermos o medo de perder tudo, não começamos a viver". Como convencer alguém a desprender-se, para alcançar a liberdade, num mundo dominado pelo desejo de consumo e de status?
Não tenho a mínima ideia de como convencer a alguém disso. Creio que alguns de nós conseguem mais do que outros serem menos dependentes do que os outros pensam. Acho que hoje em dia, a dependência da opinião dos outros, como reserva de autoestima, se tornou uma praga porque somos mesmo carentes e as redes sociais um abismo sem fundo...

O Brasil vive um momento vigoroso de debate político com a possibilidade, bastante plausível, de termos duas mulheres - de esquerda ou centro esquerda do espectro ideológico - disputando o segundo turno da eleição presidencial. Como vê esse cenário? Já definiu seu voto?
Já defini há muito tempo, mas claro que não vou te dizer. Quanto a serem duas mulheres, pra mim não é importante, homens ou mulheres, tanto faz. No sentido histórico, de termos poucas mulheres até hoje como presidentes no mundo, é significativo, claro. Quanto a serem de esquerda, me parece óbvio, não existem muitas opções mais liberais no Brasil.

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