Você lembra do show que fez em Londrina em 2009? Foi muito comentado e elogiado.
Ontem me fizeram a mesma pergunta e eu disse que não lembrava. Mas agora lembro vagamente do lugar e que fui acompanhada por músicos da casa.

No show de sexta-feira, você também subirá ao palco com músicos londrinenses?
Não. O show é o de divulgação de meu novo CD, "De Normal (Bastam os Outros)", e irei com os músicos que participam do disco. São cinco músicos. Vou mostrar as composições do disco e o repertório de músicas que o público consagrou e quer sempre ouvi-las.

O disco tem mais semelhanças ou diferenças em relação ao anterior, "Maria Alcina Confete e Serpentina", contemplado com o troféu de melhor álbum de 2009 no Prêmio da Música Popular Brasileira?
Todo trabalho tem uma proposta. E esse trabalho registra meus 40 anos de carreira. Quando conversei com o produtor Thiago Marques Luiz sobre o disco, ele propôs: vamos mostrar todos os seus lados, o lado vedete, o lado atriz, o lado debochada, o lado engraçada, o lado cantora. Gravei músicas da nova geração de compositores e da geração já consagrada. Tem músicas de Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Karina Buhr, Anastácia, Péricles Cavalcanti, Felipe Cordeiro, Jorge Benjor, Totonho, Chico Anysio, Adoniran Barbosa, Haydee de Paula, Osvaldo Nunes, João Bosco & Aldir Blanc e por aí vai. Tem uma participação do Ney Matogrosso, que canta 'Bigorrilho' comigo.

Que balanço você faz de seus 40 anos de carreira?
Não faço balanço. Eu não tenho carreira, eu tô na correria, eu faço correr. Minha carreira não é convencional, não segue um padrão construído e arregimentado por empresários e gravadoras. Não segue os mecanismos do mercado. Eu procurei andar de minha maneira, fiz tudo com meu esforço, alegria e com a ajuda de amigos. Aprendi a carregar minhas ferramentas. Eu não tinha nada, tive que abrir espaço. E não falo isso com rancor. A obrigação do artista é exercer o seu dom, fazer o que gosta de fazer. E é o que faço. Só tenho a agradecer. Eu trabalho muito. Gosto de arregaçar as mangas. Como tive pouca oportunidade de gravar um disco por ano, me dediquei a fazer shows. Uma vez, quando estava por baixo, pensei em desistir. Liguei para minha mãe, em Minas, e ela falou: "Volte, filha". Pensei comigo: "Minha mãe já está me acolhendo, isso não é legal. Alcina, tu é um trator desligado. Tem que ligar, tem que se mexer!". Foi aí que resolvi abrir frentes de trabalho. Cantei onde podia, até em cima de lata de querosene. Fiz isso por mim e hoje sou feliz.

Você tem participações em muitos espetáculos produzidos para homenagear artistas consagrados, né?
Fiz Gonzagão, Pixinguinha, Adoniran Barbosa... Carmen Miranda. A Carmem é um show que ainda faço. O público gosta. A Carmen está sempre comigo, desde que comecei a carreira, do jeito como eu cantava e me vestia. Não dá para me dissociar dela.

No mês passado, você gravou um show da turnê de "De Normal (Bastam os Outros)" para DVD. Quando ele será lançado?
Vai sair em março de 2015. Tem participações de Anastácia, Felipe Cordeiro e Karina Buhr.

O Brasil vive um momento de grande debate político e as eleições estão aí. Você já tem candidato definido?
Estou observando os debates. A gente precisa escolher alguém que tenha um projeto para desenvolver o País, que tenha muito amor pelo Brasil e pelo povo. Ainda não defini meu candidato. É difícil escolher.

mockup