Folha de Londrina - Como você conheceu a cantora Joyce Cândido?
Elza Soares - Ela me convidou para participar da gravação de seu DVD e, como não a conhecia, procurei ouvir seu trabalho antes de me comprometer. Ouvi e gostei. Ela é boa cantora. Acho maravilhoso participar de trabalhos de outros artistas talentosos, especialmente num período em que o cenário da música brasileira está ruim.

Você já veio várias vezes a Londrina ao longo de seus mais de 50 anos de carreira. Tem lembranças de algum show por aqui?
Fui muitas vezes. Há uns três ou quatro anos, estive aí participando de um evento em que tinha teatro na rua. Era lindo. Estive também numa época em que organizavam festas para a Rainha do Café, que acho que não tem mais. Lembro que eu cantei na noite de entrega de faixa.

Você passou recentemente por uma cirurgia na coluna, né? Está fazendo shows normalmente?
Fiz a operação em fevereiro. Tive que me afastar dos palcos. Ainda bem que não atrapalhou em nada a garganta. Mas já estou com dois shows rodando todo o Brasil. Em alguns momentos do show, tenho que me sentar, não posso abusar. Tenho que tomar alguns cuidados..

Como foram os primeiros shows do tributo a Lupicínio Rodrigues?
Foram lindos. Lupicínio é a minha paixão. Quando fui para o hospital, fiz cirurgias da cervical e depois da lombar. Queria sair logo para cantar Lupicínio.

A sua voz, o seu jeito de cantar, o seu timbre são peculiares e impressiona todo mundo que a ouve. Como nasceu essa forma de cantar?
Vem do tempo em que eu carregava latas d’água na cabeça e fazia um barulho com a voz. Percebi que aquilo dava um som. Meu pai não gostava, mas eu continuei fazendo. Foi assim que fui eleita a ‘cantora do milênio’ pela BBC.

Você foi a musa e madrinha da seleção brasileira de futebol na Copa de 1962, no Chile, e foi casada com Garrincha, um dos cinco maiores craques mundiais de todos os tempos. Como viu o recente fracasso do escrete brasileiro na Copa?
Não tem mais craques na seleção. Precisamos de uma renovação. É uma necessidade. Não concordo com a saída do Felipão. Não é por aí, não adianta mudar o técnico. Ele tentou fazer milagre com essa garotada. Deu tudo de si, investiu nessa meninada. Feliz ou infelizmente, são eles que representam o País. São os soldados da bola. Precisam ser preparados. Tem que haver um projeto a longo prazo. Não pode também botar na cabeça que é o melhor do mundo. Ficar se achando. Daí você encontra alguém melhor que você e vem a derrota e a decepção. E foi o que aconteceu.

Antes da Copa, você esteve envolvida numa briga com o governador do Distrito Federal....
Queriam mudar o nome do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, pelo amor de Deus. Fui lá e falei para pararem. Falei que, se tocarem no nome do Mané, faria uma campanha lá e que ficaria deitada na porta do Estádio. O Mané só queria jogar futebol, nunca foi rico. Não se importava com homenagens, com a coroa de rei, não ligava para essas coisas. Era um índio, um índio alagoano. Graças a Deus, o nome do Estádio ficou conservado. Está lá.

Em que fase está o filme que a cineasta Elizabete Martins Campos dirige sobre a sua vida e carreira artística?
Está pronto. E começou a batalha pela distribuição. Espero que ele chegue aos cinemas até o final de 2014.

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