ENTREVISTA
Esta é a terceira vez que você trabalha em uma Copa do Mundo? O fato de, agora, o Mundial ser sediado no Brasil, muda alguma coisa para você?
Essa Copa, para mim, é completamente diferente das outras. Acho que nem tanto por ser no Brasil, é só uma questão pessoal mesmo. A grande diferença é que eu vou, pela primeira vez, narrar. E isso para mim já é completamente diferente. Na primeira Copa, eu estava no SporTV como comentarista de jogo, na última, fui como representante do "Bom Dia Brasil", e, dessa vez, vou fazer a "Central da Copa" como apresentador. Mas tenho de me preparar para narrar cinco jogos, o que é uma grande novidade.
E como foi esse processo de preparação?
Eu sou um cara abençoado com relação à fonoaudiologia. A minha preparação foi mais em ficar solto, em entender o ritmo do jogo, dar o tom certo para a partida. São coisas que só a experiência vai trazer. Fiz alguns jogos do Campeonato Carioca e do Campeonato Brasileiro como teste. Assisti a eles depois e percebi que, em alguns momentos, eu poderia ter sido um pouco mais incisivo, em outros, estava falando demais, podia ter dado um tempo. Preciso entender o meu ritmo dentro do ritmo do jogo, mas isso só vem com rodagem mesmo. Estou treinando há quase um ano, fazendo pilotos atrás de pilotos.
Por que você foi escalado para ser o novo narrador da Globo?
Eu sempre manifestei meu desejo de trabalhar em jogo de futebol. Antes de ir para a Globo, eu fiquei cinco anos comentando jogo de futebol no SporTV e sentia saudade. Quando está acontecendo um evento esportivo, a história se forma naquele momento e você a conta pela primeira vez para as pessoas que estão assistindo. É gostoso demais! Várias emoções acontecem no meio de um jogo. E é muito claro que os ex-jogadores são os comentaristas de futebol hoje. Essa é a tendência, nem questiono. E acho que essa oportunidade foi uma forma de a direção dizer para mim: "Tem uma chance de fazer o que você quer: trabalhar em um evento esportivo como narrador. Topa?". E eu topei.
Você já havia narrado outros esportes na Globo, como ciclismo, natação e maratona. Sente que a pressão é maior quando se trata de futebol, já que é o esporte mais assistido pelos brasileiros?
Sim. É uma responsabilidade enorme, tem uma pressão maior. Minha introdução ao mundo da narração foi através de outros esportes, em eventos do "Esporte Espetacular", aos domingos. Mas faltava o futebol, que é a paixão do povo. São 90 minutos de jogo, exige uma preparação, um condicionamento melhor, algo que, no entendimento da direção, onde tem pessoas em que confio muito, aconteceu no Campeonato Carioca.
Como vai ser sua rotina entre apresentar o "Central da Copa" e narrar alguns jogos?
Vai ser bem pesada. Mas aí a gente brinca que é Copa do Mundo, não tem jeito. Eu não vou apresentar o "Globo Esporte" durante a Copa. Minha rotina vai ser comandar o "Central da Copa" diariamente e nos dias de jogos. No dia anterior dos jogos que eu vou narrar, por causa de viagem, talvez não dê para fazer. Vou viajar para narrar os jogos "in loco". Meu dia a dia vai se resumir a viagens, jogos e "Central da Copa".
Mesmo com sua experiência de Copa do Mundo, você chega a ficar nervoso de participar da cobertura de um evento desse porte?
Se eu pudesse dizer qual foi a maior bênção que Deus me deu foi não ter ansiedade. Sou uma pessoa tranquila. Com um evento como esse, por exemplo, eu fico animado. Vou participar de um tremendo de um evento, fico feliz. Não perco o sono. Muito pelo contrário, durmo bem. Na verdade, vai de uma confiança muito grande que a empresa me dá. Isso me deixa muito à vontade com o que estou fazendo. Não tem nervosismo.
Você sempre foi assim?
Sempre, desde que entrei na tevê. Na verdade, eu "surfo uma onda" que é muito favorável a mim. Se de repente a coisa mudar e precisarem de alguém mais sério e sisudo para apresentar, pode ser que eu me dê mal porque não saberia fazer desse jeito. Na verdade, o rumo que o esporte tomou é muito favorável à minha personalidade. Então, fica fácil. Me sinto muito em casa, fico muito à vontade trabalhando.
Aos poucos, você foi ganhando projeção nacional, principalmente por apresentar o "Globo Esporte" que é exibido para a rede. Ter um alcance maior era algo que você almejava para sua carreira?
Não. Aconteceu, simplesmente. Não paro para pensar muito nessas coisas. Vontade de ter um alcance maior, eu até tinha, mas não era algo que me incomodava. Acho que, mais importante do que ser conhecido por muita gente, é ser querido por quem conhece você. Não adianta eu querer me projetar para o Brasil inteiro tendo uma rejeição no Rio de Janeiro. E eu acredito demais que, profissional e pessoalmente, você constrói as vitórias da sua vida no dia a dia. Se você fizer bem o que se propõe todo dia, as oportunidades vão aparecendo na sua vida.





