Folha de Londrina: O Boca Livre fez shows no início da carreira em Londrina. Tem lembranças dessa época?
Zé Renato: Acho que fui umas três ou quatro vezes à Londrina. Lembro que fizemos um circuito por cidade paranaenses na fase em que acompanhávamos o Edu Lobo e passamos por Londrina. Depois voltamos, nos anos 80, como convidados do Projeto Pixinguinha ao lado do Mário Adnet. Posteriormente fui com o Renato Braz e fizemos um show no Teatro Ouro Verde.

Qual vai ser o repertório do show?
A base será o novo álbum, "Amizades", que deveremos tocar quase na íntegra à exceção de duas ou três músicas. Também vamos mostrar canções de nossa trajetória como "Toada", "Quem tem a Viola", "Ponta de Areia" e "Feito Mistério". São músicas que sempre fazem parte do roteiro porque são referências para as pessoas e porque gostamos muito de tocá-las.

Quais as diferenças você vê entre o primeiro álbum lançado pelo grupo, que fez um grande sucesso na virada dos anos 70 para os 80, e o recém-lançado "Amizades"?
Há um acréscimo de experiências, de vivências. O conceito básico permanece, é uma conquista, é uma sonoridade que fazemos questão de preservar. Por outro lado, há diferenças timbrísticas, de instrumental. Nosso primeiro disco tinha uma viés mineiro, porque além de gravar muitos compositores mineiros, nossas próprias músicas traziam influências do pessoal do Clube da Esquina. Até hoje muita gente acha que somos mineiros. Já o novo disco tem menos dessa referência. Os arranjos instrumentais tem um pouco do jeito como foram concebidos de forma que o resultado final ficou com um pé jazzístico.

Como você avalia as mudanças do mercado fonográfico da época em que vocês começaram para os dias atuais?
Tudo mudou. A configuração geral virou uma outra coisa. Quando lançamos o disco de estreia, havia mais abertura nas rádios ditas populares para tocar o tipo de música que fazíamos. Hoje isso é quase impossível, a probabilidade é mínima. Por outro lado, tem a internet que disponibiliza músicas e permite baixá-las de graça. Mas não podemos deixar de ver o papel fundamental da rádio para a popularização dos trabalhos. E quanto existe essa limitação de espaço, reduz bastante o alcance.

Quais são os projetos do grupo para este ano?
Fazer show e promover o disco novo. Estamos dando os primeiros passos para divulgá-lo. Temos uma longa estrada pela frente.

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