Como será o show? Vocês vão fazer uma retrospectiva de carreira?
Procuramos tocar músicas antigas porque o pessoal sempre quer ouvir. Vamos fazer um resumão com músicas de todas as fases. Não vamos ficar no saudosismo. Estamos na ativa, estamos terminando um disco novo.

Pretendem tocar músicas inéditas?
Não sei, não defini ainda.

Lembra de alguma coisa do show que vocês fizeram na segunda edição do Demo Sul em 2002?
Tocamos numa chácara, no meio do mato. Foi legal, a vibe do público era boa.

Na condição de ser um dos pioneiros do punk nacional, que avaliação você faz hoje do movimento? O que se mantém vivo hoje em termos de som e comportamento?
A própria existência dos festivais independentes, como o Demo Sul, é um legado do punk. Há influências em tudo, do visual ao comportamento, desde os emos (que já sumiram) até os Black Blocs com seu visual e suas posições radicais anarquistas. Os Inocentes, porém, não se limitam ao punk. A banda faz parte da história do rock nacional.

Você já dizia isso em 1986, quando a banda assinou com a gravadora Warner, né? Naquela época houve muita resistência dos fãs?
Houve, claro, mas a gente estava de saco cheio do movimento que estava em declínio com brigas de gangues. A gente queria sair do gueto e fazer parte de uma cena musical mais abrangente. E foi positivo. O público dos shows era mais diversificado: havia freaks, headbangers, skatistas, punks.

A banda sentiu o baque da indústria fonográfica? Como o declínio das gravadoras afetou o dia a dia dos músicos?
Pra gente, a coisa deu uma melhorada. Aliás, nem sentimos a mudança no mercado. Tudo ficou melhor para quem trabalha na cena independente. As pessoas passaram a ter acesso mais fácil à produção musical. Os artistas não precisam mais depender de um programa de televisão para divulgação de sua música. Ficou difícil para quem dependia da indústria.

Você falou que está finalizando um disco novo. Poderia adiantar alguma informação sobre esse material?
Ele vai se chamar "Sob controle" e será lançado pela gravadora Substancial Music, a mesma do Sepultura, do Angra e de outras bandas conhecidas. Terá 5 músicas inéditas e mais 10 bônus que vamos gravar durante um pocket show no próximo dia 22. As letras são politizadas, o que foi sempre a pegada da banda. Estamos em sintonia com a população que foi às ruas durante as manifestações de junho – e olha que gravamos antes dos protestos, o que revela que continuamos atuais.

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