ENTREVISTA
O tema de sua palestra é "A força do escritor". Como você vê essa "força" num país de escassez de leitores, onde um livro que vende 5 mil exemplares já é considerado um best-seller?
Há várias formas de força dos escritores. Um Fernando Morais ensina ao país quem foi Olga Benário o que as escolas não fizeram em décadas. Um Ruy Castro tira Nelson Rodrigues "do armário", corrigindo a importância histórica do "anjo pornográfico". E mesmo os que vendem pouco podem mudar a vida de quem os lê como aliás já foi a situação do próprio Paulo Coelho, cujos dois primeiros livros passaram uns dois anos como fracasso de vendas, mas já mostrando a força do escritor para quem os lia (no caso, com o convite ao universo esotérico).
Você tem se notabilizado como autor de biografias. Escreveu "Giane Vida, arte e luta" sobre o ator Reinaldo Gianecchini, e "Bussunda A vida do Casseta", sobre o humorista. Como você vê a legislação em vigor em torno desse gênero literário, que teve obras como aquelas sobre Roberto Carlos e Garrincha retiradas de circulação?
A legislação está em vias de ser reformada. Há no Brasil uma má compreensão da defesa do direito do indivíduo à preservação da sua imagem no caso das biografias, ultrapassando o bom senso e ferindo o direito coletivo à livre expressão. Em tempo de circulação total de informações, os juízes vão começar a ter vergonha de embargar biografias não-autorizadas.
Você está envolvido em algum projeto de livro atualmente? Poderia adiantar alguma informação?
Meu próximo livro será de crônicas políticas (portanto, praticamente um livro de humor). A próxima biografia já está decidida, mas só começarei a trabalhar nela ano que vem. Será difícil para mim contar uma história tão incrível quanto a do Giane, mas vou tentar.





