O Teatro Mágico tem vindo com regularidade a Londrina. A banda estabeleceu alguma relação especial com a cidade?
Londrina sempre foi um local familiar porque parte de minha família é de Cambé. Até a adolescência, eu ia muito para lá. Quando montei o grupo sempre pensei em me apresentar na cidade. E isso aconteceu. O primeiro show no Paraná foi justamente num colégio público de Cambé.

E nessa época você vinha a Londrina?
Sempre. Quando eu tinha 18 anos, assisti a um show da banda Madera em Londrina. Achei muito bacana os caras fantasiados, pintados de azul e cantando Mutantes. Eu tinha feito oficinas de teatro e participado de saraus em São Paulo, já tinha algumas referências de linguagens cênicas. Quando vi o show, falei: quero fazer algo assim. Depois, em várias oportunidades, convidamos eles para se apresentar na abertura de nossos shows. Lembro que a banda já tinha acabado, mas eles se juntavam especialmente para esses shows.

Vocês conhecem outros músicos de Londrina, além do pessoal do Madera?
Atualmente não. E faz tempo que não temos contato com o pessoal do Madera. Mas temos uma relação especial com o público, que se identificou muito com o Teatro Mágico. Percebemos que a público vai se renovando. Cada pessoa que vai a um show, volta no outro show levando um amigo, a mãe, o sobrinho. Toda vez que vamos aí, a galera esgota os ingressos e lota o teatro. Agora não vamos fazer no teatro. Será num espaço maior, para muito mais pessoas. E vamos levar o espetáculo "Recombinando Atos" integral com cenário, figurinos, os três artistas performáticos, um monte de coisas.

O Teatro Mágico sempre utilizou elementos circenses no palco, não? Qual foi o impacto do incêndio da boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, para a banda?
Foi um choque. Houve lá uma soma de coisas erradas: o espaço inadequado, o excesso de pessoas, a fiscalização e a segurança problemáticas, enfim, uma avalanche de infelicidades. Nós sempre tivemos cuidado com esses aspectos, mas depois da tragédia passamos a ficar mais atentos. Substituímos os fogos por bastões de luz, além de outros elementos cênicos que foram trocados por outros efeitos.

O título do último álbum de estúdio da banda, "A Sociedade do Espetáculo", foi inspirado no livro homônimo do ativista de esquerda francês Guy Debord?
Não tivemos nenhum propósito de traduzir ou explicitar a obra no disco. É uma homenagem e uma referência. O próprio nome do grupo, O Teatro Mágico, é uma citação do livro "O Lobo da Estepe" do escritor alemão Herman Hesse. Na passagem da obra, o autor olha para um anúncio de parede e lê: "Teatro Mágico: Entrada para os raros". Os livros são como mapas, vão indicando caminhos.

Como você está acompanhando a onda de protestos no Brasil? Qual foi o impacto desse movimento para vocês da banda?
Foi muito bacana o que aconteceu em junho. Existe muita coisa em comum nas manifestações: a inquietação, a indignação e a disposição para a mudança. Agora é preciso cuidado para que tudo não vire uma micareta e caia no debate raso e na falta de articulação. A pauta não pode ser sequestrada. É preciso olhar para as minorias e para as periferias que sofrem as grandes necessidades e passam por situações absurdas. Temos que unificar as reivindicações, principalmente em Educação e Saúde. Milagres acontecem quando vamos à luta.

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