ENTREVISTA
Que lembranças você guarda de sua passagem por Londrina para as filmagens de "Gaijin 2 Ama-me como sou"?
Fazer esse filme foi muito importante para minha vida, porque ele abordou uma temática pessoal ligada à minha família. Todo o processo de preparação foi muito emotivo. A comunidade japonesa local é muito unida e sempre me pediu para fazer o filme, o que me deu força e estímulo para realizá-lo. O filme me deu a oportunidade de estar próxima da população e receber essa energia positiva, inclusive de pioneiros vivos. As outras etnias também apoiaram o projeto, que retratou a construção dramática do Norte do Paraná.
Que avaliação você faz da recepção do filme desde o seu lançamento nas telas?
Um filme com temática baseada num grupo étnico é um negócio ainda estranho no País. Veja que há pouco tempo fizeram um filme tentando reconstituir a história do Brasil e trataram da formação étnica reduzindo-a aos elementos português, negro e índio. Não falaram dos imigrantes. Já se passaram mais de 100 anos da imigração japonesa e ainda não se reconhece sua contribuição para a composição étnica do Brasil. Meus filmes foram feitos como gritos, com esse apelo de mostrar a importância dos japoneses, alemães, poloneses, enfim, das etnias que também são brasileiras. O entendimento de que existiu imigração ocorre só de São Paulo para baixo. O resto do País não reconhece, não pergunta e nem quer saber. A questão da identidade cultural não está bem resolvida.
O cinema nacional vive uma boa fase?
Estamos vivendo um período muito estranho de migração de captação de recursos da Lei Rouanet para o fundo setorial do Audiovisual, que tem criado dificuldades para a área pelo fato de ser um projeto em fase de implantação. Além disso, percebo que a produção está voltado para filmes baratos com o elenco filmado num lugar só, daí o sucesso das comédias. Hoje rodar um filme como "Gaijin" é algo inviável. Não há espaço para um filme histórico, com comprometimento com a cultura e que exige montagem de cidades cenográficas como fizemos em Londrina.
Em que projetos você está envolvida atualmente?
Estou finalizando o filme "Encantado", com roteiro meu em parceria com o Vitor Nava. Também tenho dois projetos para televisão, além de um longa-metragem sobre o qual ainda não posso adiantar informações.





