Folha de Londrina: Como você avalia esses mais de 50 anos de carreira?
Erasmo Carlos: Agradeço por ser querido pelo público. Vejo as pessoas me aplaudindo depois dos shows e as notícias geradas nas redes sociais, e fico bastante feliz. É o resultado do meu trabalho, bicho. Tudo o que faço é do bem. O mal não passa pela minha cabeça – a inveja, o rancor, o ódio, nada disso. Sou uma pessoa completamente do bem. No dia da gravação do DVD "50 Anos de Estrada", em julho de 2011, lembrei de minha infância pobre e de como havia chegado até ali. Me senti muito privilegiado em estar no palco ao lado de Roberto Carlos e da Marisa Monte. Jamais imaginei que um dia poderia cantar "Festa de Arromba" no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Tive a sensação do dever cumprido.

Como você viu essa onda de protestos que ocorreu no Brasil inteiro em junho e julho? Participou de alguma manifestação?
Eu adoro protesto. Sempre participei de manifestações ao longo da minha vida, como a "Diretas Já", por exemplo. O que aconteceu agora foi o seguinte: o povo estava hibernando desde a época dos "caras-pintadas" e, de repente, ele acordou para reivindicar. Acho bonito. É difícil acabar com a corrupção, mesmo porque ela sempre existiu em todas as civilizações. Mas os políticos deveriam ser mais discretos. O povo cansou de tanto achincalhe, de troca de favores, de ser humilhado e foi para a rua. Só assim para melhor um pouco a índole dos políticos.

Em que fase está a gravação de seu novo disco?
Na próxima segunda-feira entro no estúdio para iniciar as gravações. Ele vai se chamar "Gigante Gentil", que é um apelido que me foi dado pela Lúcia Turnbull, que tocou com a Rita Lee. Esse disco vai ter parcerias com o Arnaldo Antunes e o Nelson Motta.

Está com muita expectativa em relação ao filme que vai contar a sua história?
O filme está com o script pronto, mas a filmagem ainda não começou. Já estão escolhendo o elenco. É o que estou sabendo.

mockup