ENTREVISTA
Você já deixou claro que tem interesse em uma carreira de apresentador na Record. Que programa pensa em fazer?
Ainda estamos formatando a ideia. Mas, inicialmente, seria um especial nos mesmos moldes do que eu tive em 1999, quando fiz minha primeira novela na Record, "Louca Paixão". Naquela época, convidei a Elba Ramalho, Dominguinhos, Paulinho Moska, Toquinho, Belo... Foi um programa com participações musicais que considero brilhantes. Eu queria algo nesse gênero, mas ainda não sentamos para definir o que exatamente seria. Precisamos amadurecer isso.
Você não fazia uma novela desde 2007, quando finalizou "O Profeta". Sentia falta de atuar em um folhetim?
Eu estava com muita saudade de atuar. Quando a Record me procurou, fiquei bem contente com a possibilidade de voltar. "Dona Xepa" é um marco da dramaturgia nacional, tanto na tevê quanto no teatro. E já trabalhei com Ivan (Zettel, diretor-geral), é bom reencontrá-lo depois de anos. Fizemos juntos "A Padroeira", na Globo, em uma época em que o Walter Avancini ainda estava vivo. Ele morreu durante esse trabalho.
Quando você se lançou como cantor, também foi, gradativamente, diminuindo suas aparições como ator na tevê. Hoje, se arrepende de ter feito isso?
Na época, o impacto de shows e de agenda em programas de tevê foi muito forte. Tive de me dedicar para valer ou não conseguiria cumprir todos os compromissos. Acabei ficando um pouco menos atuante como ator, é verdade, mas eu tinha de fazer isso. Havia uma equipe de 26 profissionais comigo, sendo 11 músicos no palco. Fora a equipe técnica, produção, empresário, enfim, eram seres humanos trabalhando e precisando daquilo tanto quanto eu. Foi uma época de trabalho forte, com muitas músicas que eram temas de trilhas de novelas e que tinham apelo nas rádios. Eu fazia shows de quarta a domingo, viajava na quarta e só voltava para casa na segunda.
Hoje, em função da música, é mais difícil estabelecer um vínculo longo como ator em uma emissora?
Não acho que poderia me prejudicar, até porque imagino que daria para eu conciliar com outras coisas na minha carreira. Quando você termina uma novela, por exemplo, normalmente tem um período de descanso bom. Mas não me incomoda não ter um contrato. Como atuo em diversas áreas, posso me beneficiar de ambas as situações.
Você se prepara para, em 2014, fazer 50 anos. Como lida com a passagem de tempo?
Lido bem, de verdade. Eu sei que tem um monte de gente que dá uma pirada, mas quanto mais maduro, melhor me sinto. A experiência e a precisão na interpretação só melhora com o passar do tempo. O homem tem a vantagem de ficar charmoso com cabelos grisalhos. E o assédio continua o mesmo. E não só das mulheres, mas do público em geral. Acho que para os homens é mais fácil não só conviver com essa passagem, mas também aprender a tirar proveito dela.





