Como você define este seu novo trabalho?
É uma homenagem à fé e era um desejo antigo fazer esse disco, pois sempre interpretei várias versões de Ave Maria nos shows e em ocasiões especiais, como quando cantei para o Papa João Paulo II, em 1997, e para Bento XVI, em 2006. A vida leva a gente por vários caminhos e quando o Papa Francisco I foi escolhido senti no meu coração que era a hora de gravar essas canções.

O que mais admira no Papa Francisco I?
Ele tem um olhar especial pelos pobres, representa a resistência da Igreja contra a ditadura na América Latina e soube bater de frente com o regime argentino. Acho que com o seu jeito terno e firme ele consegue reforçar o papel da Igreja que é o de acolher. Ele consegue atuar no caminho do meio, com bom senso, que é o que estou procurando nessa fase da minha vida, embora o meu temperamento nãos seja muito fácil (risos).

Ele foi gravado pensando na Jornada Mundial da Juventude?
Não. Como disse anteriormente, era um desejo antigo, ainda mais levando em conta a minha origem, onde desde criança aprendemos a ter uma relação profunda com a figura de Maria, a desenvolvermos um olhar mariano perante a vida.

Existe a possibilidade de você se apresentar para o Papa Francisco no Rio de Janeiro?
Há apenas especulações nesse sentido.

Foi um desafio muito grande regravar uma canção imortalizada por Mercedes Sosa e Elis Regina (Gracias a la Vida)?
Não, foi uma forma de homenagear a compositora Violeta Parra, que teve a sua canção tão bem interpretada por Elis e Mercedes Sosa.

Esse CD vai gerar um show? Como ele está sendo projetado?
Essas canções já fazem parte dos meus shows há muitos anos e só vou localizá-las melhor na programação. Não pretendo fazer um DVD.

Roberto Carlos vendeu mais de 2 milhões de cópias com o EP que tem a música Esse Cara lançado em 2012. Isso influenciou sua decisão em adotar esse formato? Acha que esse disco mais barato seria a saída para a crise do mercado fonográfico?
Não, não tem nada a ver. Eu simplesmente quis experimentar esse formato e com sinceridade não fico focada no lucro que vou ter. Isso não me preocupa. Há 38 anos entro em estúdio para gravar meus discos e o meu guia é a minha emoção. Nunca programo nada na minha vida. Deixo as coisas irem acontecendo.

Seu último trabalho em CD e DVD foi o registro Ao Vivo em 2007. Desde então os fãs têm cobrado um disco novo, quando ele vai chegar?
Estou preparando para o ano que vem um novo disco com canções românticas.

Em entrevista à Marília Gabriela você mencionou que pretende fazer um disco com um olhar despudorado do universo feminino. Já selecionou o repertório? Quem pretende gravar e quando o CD será lançado?
Exatamente, o foco é esse. Mas não posso adiantar nada, pois ainda estou estudando o repertório.

O songbook que você gravou em homenagem a Chico Buarque em 2005 (Tanto Mar) teve uma grande repercussão de crítica e de público e foi elogiado até pelo próprio compositor. Pretende se dedicar a outros projetos como esse? Quem seriam os próximos homenageados?
Ainda não pensei nisso, mas tem muita gente boa que poderia ser homenageada. Uma pessoa que mereceria uma homenagem especial seria o grande compositor Paulo André Barata, que é do Pará.

Como você avalia o boom que a música paraense atravessa?
Acho muito bom, principalmente porque os músicos paraenses agora estão contando com mais apoio do governo do Pará, algo que não havia na época em que comecei a minha carreira artística. Sempre cantei a música do Pará com sotaque, respeitando sua originalidade, e espero que ela deixe de ser 'moda' para ser considerada realmente um segmento da MPB. Quando olhamos a música paraense como "exótica" deixamos de ver a sua profundidade cultural, a sua riqueza musical, que vai do erudito ao popular.

O que você tem ouvido recentemente?
Ouço de tudo, de música contemporânea ao clássico, mas jazz ouço todos os dias. Uma cantora que tem me chamado a atenção é a espanhola Buika, que mistura música flamenca, soul e jazz. Gosto muito da Céu também. O que eu gosto, ouço de novo; o que não gosto, nunca mais escuto. Não gosto de música ruim, caricata nem performática.

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