ENTREVISTA
Você atuou na primeira versão para a tevê de "Dona Xepa", de 1977. Como é voltar à história da personagem, agora no posto de protagonista?
É um reencontro com muitas memórias e referências da minha vida. Xepa é uma mulher de valores e isso sempre me encantou. O bem estar dela é o bem estar dos filhos. Se ela é feliz assim, por que tem de ser ao contrário? Algumas pessoas nasceram para ser mães e não encaram essa dedicação de forma tão pejorativa. E aí vem um ponto importante de "Dona Xepa": é o tipo de novela que faz o público pensar. O fato de ela ter se anulado ou não é a grande discussão do texto. Além de acreditar na força das ideias contidas na personagem, descobri a delícia de ser protagonista depois dos 60 anos (risos).
Qual sua principal lembrança da primeira versão da trama?
Eu lembro muito da Yara (Cortes)! Na primeira versão, minha personagem, a Regina, era a antagonista da Rosália. Regina não suportava o jeito com que os filhos tratavam a Xepa. Como eu e Yara contracenávamos muito, acabamos criando uma real conexão materna em cena e essa amizade passou para fora dos estúdios. Posso até dizer que ela foi minha "mãezinha" artística.
Assim como a Dona Xepa, boa parte das personagens importantes de sua carreira são de composição, caso da Olga, de "Gabriela" (1975), e a Biga, de "A História de Ana Raio e Zé Trovão" (1991). É uma preferência sua?
Adoro mergulhar no universo das minhas personagens. Compor um personagem é um processo muito especial e que requer dedicação. Pois qualquer erro ou exagero pode ser fatal. No entanto, quando dá certo, é um prato cheio para a intérprete. É engraçado o apelo popular que esses tipos desenvolvem. Se bem que, apesar do sucesso de alguns papéis, acredito que minha trajetória é vista pelo público de forma mais abrangente.
Por quê?
Acho que tenho mais uma história de vida do que apenas uma carreira artística. As pessoas na rua não me param apenas por conta de um personagem mais popular ou outro. Sou reconhecida por ter sido Secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, também por ter trabalhado como diretora de Sindicato na época da regulamentação da profissão de ator. Sou atuante e, mais que tudo, uma militante da vida e da arte.
Entre "Bela, A Feia" e a minissérie bíblica "Rei Davi", você teve de fazer duas cirurgias no quadril para tratar uma artrose. Achou que, de alguma forma, essa doença pudesse forçá-la a se aposentar?
De jeito algum. Ainda tenho muita coisa para fazer. Mas é um fato: a artrose me deu muito trabalho e tive de passar por duas cirurgias. Porém, essa fase ruim passou. O doutor Pedro Ivo colocou duas próteses e eu estou me sentindo ótima!
Protagonizar uma novela demanda um elevado número de cenas por dia.
Aos 66 anos e depois de problemas de saúde, você sente alguma dificuldade para trabalhar?
Nenhuma! Graças a Deus, tudo ficou bem! Não tive qualquer problema para gravar as cenas, seja no estúdio ou nas externas em São Paulo. E olha que as gravações têm realmente um ritmo muito puxado. É claro que a produção tem todo um cuidado comigo, já que, aos 66 anos, não tenho mais o desempenho físico de uma garotinha. Mas hoje isso é bem comum, muitas atrizes da minha idade exibem saúde e estão "duras" de matar e de morrer (risos).





