Em "Sangue Bom", você interpreta uma "it girl". Que preparação esse tipo de personagem demanda?
Eu costumo dizer que, enquanto a Fernanda Vasconcellos foi para as ONGs fazer trabalho voluntário, eu entrei na internet. Li textos e vi vídeos de várias dessas garotas que ditam tendências nos meios de comunicação. Hoje em dia, sigo várias nas redes sociais, estou ficando bem antenada nesse meio. É legal porque esse foco excessivo na aparência contrasta bastante com a pegada social que a novela tem, discutindo questões de um jeito que nem sempre se vê no ar.

Que tipo de discussão social, por exemplo, você acha que pode se destacar em "Sangue Bom"?
Não acho que seja o grande filão da novela, mas acho muito legal a forma como a adoção está sendo mostrada. Todo mundo incentiva a adoção e nem de longe eu condeno. Ao contrário, acho que é uma solução na vida de inúmeras crianças. Mas é preciso que se tenha um juizado de menores de olho em quem está adotando. Às vezes, uma pessoa tem todos os requisitos financeiros, mas falta controle emocional. Essa discussão é interessante.

"Sangue Bom" faz uma crítica a pessoas que vivem de aparência e se preocupam mais com o "ter" do que com o "ser". E usa uma apresentadora de tevê para discutir um dos vértices dessa trama. Como lidou com essa crítica ao meio em que você trabalha?
Achei natural. Na verdade, se a gente for analisar, qualquer campo profissional está muito em cima das aparências, do que você tem. Essa não vai ser só uma brincadeira com relação ao meio artístico, mas a qualquer um. É algo que a gente vê na medicina, na justiça, na engenharia e tantas outras áreas. Não vou ser hipócrita e dizer que não há atores assim, mas acho até que outros profissionais lidam de uma maneira pior com esse jogo de poder e interesse do que os artistas.

Dividir o posto de protagonista com cinco pessoas ameniza a responsabilidade da função?
O fato de serem seis pessoas encabeçando a trama central nos fortalece. É uma união, estão todos no mesmo barco querendo e fazendo de tudo para dar certo. A Fernanda Vasconcellos já viveu isso várias vezes e a experiência dela ajuda a gente nisso. É uma divisão tanto das responsabilidades e inseguranças quanto das descobertas e alegrias. É muito mais gostoso e dá uma tranquilidade, sim, saber que um pode salvar o outro caso alguém se perca no meio.

Desde que protagonizou "Malhação", entre 2007 e 2008, você vem emendando uma novela em outra, sendo reservada antes mesmo de sair do ar. Como analisa essa trajetória em apenas seis anos de televisão?
Olha, eu fico orgulhosa, sim, mas tento não pensar nessas coisas. Eu sei que chega uma hora em que a gente para, reflete o que fez até ali, o que ainda quer fazer e eu tenho mil planos. Só que agora o que me deixa mesmo feliz é poder circular por equipes diferentes. Conheci pessoas novas, repeti algumas parcerias nesses trabalhos, como com o Jorge Fernando, que me dirigiu duas vezes. Você falou seis anos agora e me senti estranha. De verdade, não tenho essa consciência de tempo. O que eu fiz foi seguir um caminho de acordo com as portas que se abriam.

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