ENTREVISTA
Qual o repertório do show?
O "Caravana Sereia Bloom" é um disco curto, então dá pra mostrar muitas músicas dele. Como Londrina é um lugar a que nunca fui, vou cantar algumas músicas dos outros dois discos.
O "Caravana Sereia Bloom" tem a temática da estrada, né? Você poderia contar algum episódio pitoresco ocorrido durante alguma turnê ou entre um show e outro?
Tem muitas histórias. Desde 2005, vivo na estrada e nesse tempo conheci lugares, pessoas e culturas. No ano passado fiz shows na Inglaterra e aconteceu uma coisa engraçada. Estávamos no interior (se não me engano era cidade de Brighton), eu peguei um táxi para ir ao local do show e o motorista acabou me levando para outro lugar. Você sabe que os ingleses são exigentes nesse negócio de horário... Eu cheguei atrasada, os meninos da banda começaram sem minha presença. Ficaram lá improvisando. Pintou um mal-estar, mas foi engraçado. Essa foi só uma das situações. Na estrada acontecem muitos imprevistos.
Dessa turnê na Inglaterra para cá, você fez outros shows no exterior?
Há um mês fiz um show no Cape Town Jazz Festival, na África. Na verdade, decidi que este ano ficaria mais no Brasil para fazer praças que eu nunca fiz. Aqui os shows são marcado muito em cima da hora. Lá fora são marcados com 1 ano de antecedência. Vamos ver, talvez eu faça uns shows em países da América do Sul.
Esse seu terceiro álbum tem muita influência de música latina, não?
Eu sempre tive, mas nesse disco ficou mais claro, principalmente a música feita na fronteira com o Brasil.
O disco anterior já trazia batidas de reggae e dub.
O reggae se manteve nesse último trabalho, mas é um disco mais psicodélico. Tenho preocupação em manter uma unidade em meu trabalho, embora saiba que todo trabalho artístico é comprometido com a curiosidade, com a inquietação. A música é livre para transitar, para transformar. Eu busco evoluir, minha procura é essa.
Você afirmou uma vez que se considerava uma "filha do tropicalismo". É a influência mais forte de sua geração?
Eu diria que o tropicalismo talvez seja o movimento que mais tem a ver com essa proposta de transitar pelos gêneros, essa liberdade que cada vez mais faz sentido na música, essa maneira de digerir as informações e colocar para fora. A minha geração é interessante, mas não a vejo como uma movimento. Acredito mais em movimentação do que movimento.
O formato de discos em vinil voltou com força. Você tem planos de lançar seus álbuns em vinil?
O "Caravana" saiu em vinil em tiragem limitada. Pretendo ampliar isso, relançando os três álbuns em vinil, especialmente porque agora está havendo investimento na fábrica de vinil do Brasil. A qualidade melhorou.
Quando você lança um disco e fica sabendo que ele "vazou", a sua reação é de alegria ou de tristeza?
Sou de uma geração que vê isso como algo normal, que já introjetou o fato de que qualquer lançamento será acessível para todo mundo antes de chegar ao mercado. Eu fiz um EP que antecedeu ao lançamento do álbum "Vagarosa" (2009). Ele trazia algumas faixas do álbum e foi distribuído apenas no exterior. Mas para atender aos fãs, nós mesmos acabamos liberando essas músicas. Encaro isso com naturalidade. Agora, acho importante discutir a questão mostrando que a música é um trabalho, um ofício, uma profissão. Estamos aguardando um reposicionamento do mercado, mas atentos para que o músico receba pelo seu trabalho.
O que você está ouvindo atualmente?
Gosto de ouvir música no carro e, nas últimas semanas, fiquei sem carro. Então tenho ouvido pouco. Do que escutei recentemente, fiquei encantada com o álbum do James Blake (cantor, compositor e pianista inglês). Também andei ouvindo clássicos, especialmente Debussy.





