O que você vai tocar?
É uma discotecagem bem variada nessa linha de rock: Beatles, Rolling Stones, anos 80, Titãs, Paralamas, Ultraje, clássicos como AC/DC, Kiss e Led Zeppelin e até coisas minhas.

Algum projeto novo relacionado à sua banda Kid Vinil Xperience?
Vamos lançar um DVD este mês que traz a gravação de um show realizado em Novo Horizonte, uma cidade do interior de São Paulo próxima a Ribeirão Preto.

Você acompanha o rock brasileiro há algumas décadas. Como avalia o momento atual em relação a outros períodos? Têm surgido bandas e artistas interessantes por aí?
Há muitas coisas boas na cena independente. Eu destacaria a banda Macaco Bong, de Cuiabá (MT), que faz um ótimo rock instrumental. A Pata de Elefante, também instrumental, do Rio Grande do Sul, é outra banda boa. Gosto também do Charme Chulo, de Curitiba, que faz um som regional de primeira linha. Essa banda, ao vivo, é espetacular.

Essas bandas têm encontrado espaço para divulgar seus trabalhos?
É uma coisa complicada. Vivemos um período de domínio de música popular, especialmente o sertanejo, em que o que conta é o dinheiro. Os artistas alternativos não têm muitas oportunidades para mostrar seu sons. A mídia não dá muita força. Nos anos 80, tivemos a sorte do rock ter encontrado seu espaço para acontecer. Hoje em dia ficou difícil, apesar da internet. Enfim, a cultura brasileira funciona assim. Somos contra, mas somos poucos para mudar alguma coisa. No exterior também existe música popular, como o coreano Psy do "Gangnam Style" que fez sucesso no mundo inteiro. Mas existe uma preocupação cultural e uma mídia alternativa forte que não deixam as coisas morrerem, mesmo porque o rock lá está no sangue enquanto no Brasil é um estilo musical entre outros.

O que você ouviu recentemente que chamou sua atenção?
Os discos mais interessantes são de caras mais antigos, como Bob Dylan, Leonard Cohen e Neil Young. Do pessoal novo, pouca coisa me chamou atenção. Em 2012 falaram muito da banda australiana Tame Impala, mas o que percebo ali é a repetição do que o Pink Floyd, o Status Quo e outras bandas clássicas fizeram lá atrás. O que acontece hoje em dia é que nenhuma banda consegue permanecer, não há mais longevidade. Tudo é muito rápido. Uma banda lança um ou dois discos e depois, se sobreviver, começa a se repetir. Foi assim com os Strokes, The Killers, Kings of Leon e outras. As últimas bandas inglesas realmente boas foram o Oasis e o Blur.

Você fez sucesso em 2008 com a publicação do "Almanaque do Rock". Tem planos de lançar outro livro ?
Tenho um projeto de livro engavetado. É sobre o rock brasileiro, a história do rock brasileiro. Mas sou preguiçoso para escrever. Além disso, tem que parar muitas atividades para fazer pesquisa e se dedicar à obra. Já assinei contrato com uma editora. Preciso me debruçar sobre ele.

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