Qual a importância de Edmundo Moniz para a história política e cultural do Brasil?
Ele foi uma espécie de guru das esquerdas, embora esteja esquecido e sua obra escamoteada. No período da ditadura, foi conselheiro editorial de Ênio Silveira na série de livros "Encontros com a Civilização Brasileira". Logo que chegou ao Rio de Janeiro vindo da Bahia, organizou o I Congresso da Juventude Operária-Estudantil ao lado de Jorge Amado e Carlos Lacerda. Foi fundador do movimento trotskista no Brasil ao lado do crítico de arte Mário Pedrosa, com quem criou o jornal Vanguarda Socialista no qual colaboravam nomes como Mário de Andrade e Pagu. Teve atuação também na área da cultura escrevendo 12 livros – um deles aliás, "Espíritos das Épocas", será relançado pela editora da USP.

Que papel ele desempenhou para o teatro brasileiro?
O teatro e a política foram suas duas grandes paixões. Quando Juscelino Kubitschek elegeu-se presidente da República, em 1955, convidou-o para assumir uma embaixada em qualquer lugar do mundo que quisesse. Ele recusou argumentando que queria fazer teatro no Brasil. Ocupou cargos importantes como as diretorias da Companhia Nacional de teatro, Teatro Brasileiro de Comédia e Serviço Nacional de Teatro.

Como você o conheceu?
Foi durante as manifestações pela Anistia, quando ele retornou de nove anos de exílio em sete países. Ficamos amigos principalmente no período em que fui assessor de imprensa de Darcy Ribeiro na Secretaria Estadual de Cultura. Eu trabalhava de manhã e à tarde ia a seu gabinete de sub-secretário onde ficava batendo papo e ouvindo histórias de ex-militares cassados pela ditadura como os brigadeiros Francisco Teixeira e Ruy Moreira Lima e o coronel Wilson Fadul, que fora ministra da Saúde no governo de João Goulart. Depois fui assessor de imprensa do próprio Moniz. Ele era uma grande personalidade e de uma coerência única. Escrevi esse livro para apresentá-lo às novas gerações.

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