ENTREVISTA
Você vai cantar o repertório do novo álbum, ''Volta'', ou vai dar uma geral no material de seus três discos?
Será o repertório de ''Volta'' e mais algumas coisas extras - releituras sugeridas pelo Ney (Matogrosso) durante os ensaios, músicas de Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, Caetano e Alzira Espíndola.
O que a direção do Ney Matogrosso trouxe de diferente e novo ao seu trabalho em palco?
Ele trouxe uma diferença brutal. Antes meus shows eram instáveis, como minhas atitudes à época. Havia muitas mudanças de um show para outro. Agora está mais direcionado e focado em termos de roteiro, conteúdo e iluminação. O show está mais feminino, provocativo, com mais energia. Tem a personalidade do Ney. Eu o escolhi porque havia uma afinidade poética e estética.
Você já o conhecia antes de convidá-lo?
Eu o conheci no Som Brasil em homenagem ao Cazuza, feito pela Globo, em 2008. De lá para cá, a gente foi se encontrando ao acaso e se flertando por aí até eu decidir chamá-lo para me dirigir.
O que esse terceiro álbum representa em sua carreira? Que mudanças ele traz em relação aos dois discos anteriores?
Representa um amadurecimento do trabalho, no qual pude aparar muitas arestas. Ele foi gravado todo ao vivo, com todos os músicos tocando juntos. É um disco muito orgânico. Não tem overdubs, não tem edição e nem pós-produção. Gravei músicas que gosto de artistas que sempre foram minhas referências, como Billie Holiday e Led Zeppelin.
Há temas jazzísticos no disco. Quando começou sua relação com o jazz?
Gosto de rock, blues, reggae, mas o jazz foi minha primeira grande paixão. Minha relação é visceral com as canções, as mensagens, o improviso. Quando ouvi Ella Fitzgerald pela primeira vez, dez anos atrás, aos 22 anos, tomei a decisão de me tornar cantora. É um sentimento que carrego até hoje. Toda vez que a ouço, renovo a admiração pela profundidade de sua interpretação. Sempre ouço Thelonious Monk, Miles Davis, John Coltrane, Billie... E é sempre como se fosse a primeira vez.





