ENTREVISTA
O que você preparou para o show?
Nos últimos 5 anos tenho apresentado o mesmo show. Canto os sucessos, uns 25, faço um pout-pourri e conto histórias de algumas músicas. Tento fazer um show interativo buscando entreter as pessoas com um humor incidental. É um espetáculo para o público entrelaçar saudades.
Em sua passagem anterior por Londrina, 5 anos atrás, você falou que iria escrever dois livros a convite de editoras. Esse projeto foi engavetado?
Não pude levar adiante porque fui me comprometendo demais nos últimos anos. Aliás, tenho feito mais shows agora do que antes numa média de 10 por mês. Fui inclusive ao Rio de Janeiro, onde não me apresentava há uns 20 anos e fiz dois shows este mês, além de ter mais três marcados para setembro. Estou rodando o País. Entre as capitais, só não fui ainda em São Luís, no Maranhão. Além dos shows, tem ainda a proposta de um documentário que um jornalista conhecido quer fazer comigo. Estou analisando esse projeto porque prefiro eu mesmo contar a minha história. Além desses compromissos, comecei também a escrever seriados para a televisão.
Que emissora irá exibi-los?
Ainda não tem uma emissora. Um dos seriados era para o Chico Anísio, que não pôde levá-lo ao ar. Escrevi outros dois. Sou contratado do SBT, tenho proximidade com o Silvio Santos, mas o problema do rombo do Banco PanAmericano (do grupo Silvio Santos) complicou a situação e criou um impasse. Não tenho intimidade com as filhas dele, elas nunca me convidaram para conversar. Fico constrangido em cutucá-las para saber da possibilidade de exibi-los.
Você tem bom faturamento com os direitos autorais? Aliás, tem acompanhando as discussões em torno do Ecad?
Eu parei de falar sobre esse assunto. Desde meus 20 anos discute-se isso. O que acho curioso é que as pessoas que sempre reclamam quase sempre acabam privilegiadas. Prefiro deixar pra lá e receber o que me pagam. Na verdade, percebo que os cantores estão mais preocupados em que as pessoas escutem suas músicas do que com quanto vão arrecadar com a execução nas rádios, mesmo porque as rádios mudaram muito. Antes você podia ouvir minhas músicas na madrugada, hoje em dia você ouve programas religiosos. Meu auditório já morreu, mas não posso ficar reclamando. Tento me adaptar aos novos tempos e esperar uma nova fase enquanto estou vivo, inteligente e produzindo. Procuro usar as ferramentas disponíveis, como colocar conteúdo na internet. E para me atualizar, produzo os discos de rock de meu filho, o Johnny Franco.
Qual é a idade dele?
Dezoito anos - mas já com quinze, ele gravou um disco. Agora estou produzindo um novo disco. Ele é talentoso, tem feito muitos shows em São Paulo com sua banda Moondogs. Todas as suas composições são em inglês.
Você tem uma relação com o rock, né? A Rita Lee fez sucesso com a música ''Tudo Vira Bosta'', de sua autoria.
Eu gravei rock no começo da carreira usando o pseudônimo Billy Fontana, porque naquela época os artistas do Brasil gravavam com nomes americanizados. Já essa história da Rita Lee me colocou nas paradas. Gostei de ter entrado na história dela. Fiz até outra música pra ela que traz os versos ''Faça amor, mas não faça neném / faça amor, mas não faça ninguém / Quem não nasce não sofre, quem não nasce não chora / Quem não nasce não mata, quem não nasce não morre''.





