Depois dessa caminhada pelo teatro, você se sente mais madura musicalmente para trabalhar em seu disco solo? Quais são suas expectativas?
Naturalmente estou mais amadurecida. Hoje estou com quase 44 anos, tenho uma visão mais realista da coisa. Tenho consciência de que o mercado musical é um mercado cruel. Na verdade, não sei te dizer o que é pior para ganhar dinheiro, o teatro ou a música (risos). Mas estou bem ciente disso, das dificuldades. Na verdade, isso tudo é uma coisa que não me aflige tanto. Faço meu trabalho, faço o que eu gosto de fazer e sou boa no que faço.
Mas voltar ao palco como intérprete traz a tona sentimentos diferentes? Um frio na barriga?
Eu sempre acho o seguinte: você não tem que agradar todo mundo. O que precisa existir, independente de gosto, é o respeito pelo seu trabalho. Dificilmente você vai conseguir fazer com que todos gostem do que você faz, mas acho que respeito universal é algo que todo o artista busca. Se esse é um trabalho ao qual eu me dedico, eu estudo, eu pesquiso e desenvolvo com uma disciplina para que ele seja cada vez mais completo, tecnicamente melhor. A busca do artista é mais de ser respeitado do que ser amado por todos.
Como está sendo o processo de seleção das músicas em seu disco solo?
Para este projeto que está rolando agora, a minha ideia é usar - além de alguns clássicos da música mundial - composições de artistas londrinenses, principalmente para apresentar este trabalho no Rio de Janeiro. Por enquanto, nos shows que faço, este formato tem sido muito legal. Escolher bons compositores de Londrina também faz parte dos objetivos deste novo trabalho. Trabalho sempre perguntando o que a música pode me oferecer, e o que eu posso acrescentar, em troca, nessa música. ''Que tipo de leitura existe para o público fazer desta determinada canção?'', essa é a pergunta que sempre faço.
Depois de 15 anos morando no Rio, você ainda sente uma conexão artística forte com Londrina?
Não tenho como me distanciar disso. Eu nasci em Londrina, me criei aí até me mudar definitivamente. Tudo que sei musicalmente como artista e como atriz, tudo aconteceu em Londrina. Minha família e todos os meus grandes amigos estão aí, então tenho fortes laços com a cidade. Por isso mesmo sempre fico muito curiosa em saber o que está acontecendo, para que lado estão indo as coisas na cultura da cidade, é uma coisa que particularmente me interessa muito.
Você estabeleceu, para si mesma, algum prazo para trabalhar com a sua carreira musical, e depois voltar aos palcos do teatro?
Não estabeleci tempo para nada, estou totalmente livre. Mas não abandonei os palcos de jeito nenhum: acabei de fazer a temporada do ''Alice Através do Espelho'' aqui no Rio. Além disso, este ano o Armazém comemora 25 anos, o que é uma data muito importante para a Companhia. Sempre que estou livre, fico de olho nas apresentações. Não estou na peça nova, e não estou participando de novos projetos, mas sempre dou um jeitinho de ficar por perto, de fazer alguma coisa relacionada ao Armazém.
Parece que você também sente essa necessidade de não esquecer o universo do teatro...
Ah sim. Ser artista é uma coisa que me faz muita falta. Há pouco tempo, tive uma experiência fantástica com o cinema, que é algo que eu nunca havia feito antes (o novo longa-metragem de Roberto Berliner, previsto para estrear no ano que vem). Essas coisa vão acontecendo; estou na fase de pré-produção do disco, estou com um novo show, ainda participo de alguns espetáculos. Estou em plena atividade, e muito feliz com isto.
Não é muita coisa?
A atividade artística é aquele bichinho que você não consegue viver sem. Aquela coceirinha, sabe? Eu realmente não me imaginaria fazendo outra coisa da vida. Realmente, acho que faço tudo o que nasci para fazer, e fico muito grata por tudo que eu aprendi. Não posso parar agora.

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