ENTREVISTA
Que repertório você preparou para o show?
A maioria das músicas é do disco mais recente, ''Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo'', mas como será meu primeiro show em Londrina vou cantar canções dos outros discos. Vai ser meio misturado.
Até o lançamento do terceiro álbum, uma parte da crítica chamava você de ''cantora de samba''. Recebia bem esse rótulo?
Havia uma certa preguiça das pessoas. Acho que não chegaram a ouvir os dois primeiros discos porque, embora o samba fosse predominante no repertório, havia outros ritmos ali. Além do mais, eu mesmo não me considero uma sambista. Eu amo samba. Cantar samba é cantar com o coração, é cantar com verdade. Eu faço isso. Agora é muita responsabilidade me considerar uma 'cantora de samba' num país como o nosso. Tenho muito feijão pra comer pra chegar a isso. Tenho que frequentar muita roda de samba, ouvir muitos sambistas.
Do primeiro para o terceiro disco você foi se revelando também uma compositora. Como foi esse processo?
A escrita e a melodia estiveram sempre na minha cabeça, mas nunca foram pensados como música. Pra mim, a composição é uma coisa meio do além, é como se não saísse de mim. No disco de estreia tem uma composição minha em parceria com o Duane, na verdade, mais dele do que minha. Mas foi para ''Peixes Pássaros Pessoas'', o segundo álbum, que gravei uma composição realmente autoral: ''Palavras não Falam''. Já o trabalho mais recente traz quatro faixas minhas. São músicas que eu não conseguia concluir e que se transformaram em guias para o ''Cavaleiro Selvagem...'', com sua rítmica afro-brasileira e nordestina. Demorei para me apropriar dessa experiência e agora estou gostando muito. É um desenvolvimento de meu trabalho.
Você já fez shows na França, Inglaterra e Portugal. Notou diferenças entre o público daqui e do exterior?
Claro que a plateia brasileira é sempre mais calorosa, mas o público lá fora não é frio como se imagina. Os jornalistas estrangeiros estão ligados no que acontece de novo na música brasileira, falam da nova geração e divulgam bem os shows. O público vai ao show já conhecendo o trabalho do artista.
Pretende levar a turnê de ''Cavaleiro Selvagem...'' para outros países?
No ano passado fui a Portugal. Talvez no final do ano faça uma turnê no estrangeiro, mas por enquanto ainda não há nada definido.
O que você tem ouvido ultimamente? Aposta em algum artista novo, ainda desconhecido?
Estou ouvindo compulsivamente o novo disco da Gal, ''Recanto''. É quase um renascimento dela. É um disco moderno, contemporâneo, atual. Ela mergulhou profundamente na história do Caetano (produtor e compositor do disco).
Esse álbum da Gal incursiona pela música eletrônica. É um estilo de som que te atrai?
Sinceramente não me atrai como ritmo básico, a house ou o techno. Mas me atrai como elemento, como sonoridade mais minimal, mais singela, como essa proposta de Caetano para o disco da Gal.
Alguns músicos reclamam que hoje em dia não vale o esforço de trabalhar para produzir um álbum que, antes de ser lançado, é baixado e compartilhado gratuitamente pelas pessoas. Como você vê esse momento da indústria e do mercado fonográfico?
Estamos no olho do furacão, num momento de transição, de mudanças. Não sabemos direito para onde irão as coisas. É claro que não dá mais para pensar em dinheiro quando se grava um disco. O lance agora é o show. O ponto positivo é que a prática de baixar músicas está permitindo o acesso a seu som a pessoas que talvez nunca fosse conhecer seu trabalho, já que o CD não chega a muitos lugares. E é curioso isso porque o público vai ao show e canta todas as músicas porque já as conhece através da internet.





