Quando você começou a atuar em espetáculos de stand-up comedy?
Há quatro anos. Ao longo desse período, percebi um crescimento desse tipo de humor no Brasil por causa da grande aceitação do público e pelo surgimento de grupos. Eu mesma faço parte do primeiro grupo de stand-up comedy formado exclusivamente por mulheres: o Humor de Salto Alto, que há dois anos se apresenta todas as quintas-feiras no bar Beverly Hills, em Moema, em São Paulo.
Existe diferença entre piadas escritas por homem e piadas escritas por mulher?
Os temas tratados são os mesmos. O que muda é a maneira como uns e outros vêem as coisas, como olham as situações. Há piadas que têm graça para os homens mas não têm graça para as mulheres e vice-versa.
De um ano para cá, surgiram casos de censura a comediantes. Você acha que os humoristas podem fazer piadas sobre tudo ou devem se segurar e selecionar os assuntos?
No humor pode tudo. Só é preciso um mínimo de bom senso, já que todo mundo passa por situações boas e ruins. O que acontece é que, de uns tempos para cá, criou-se um melindre por causa do politicamente correto e isso está levando à perda da capacidade de rir das situações. É preciso saber se divertir e aceitar as diferenças e não fingir que as diferenças não existem. Antigamente, grandes comediantes como Costinha e Ary Toledo faziam piadas sobre tudo - raças, idosos, homossexuais, judeus, católicos, etc - e nunca sofreram qualquer censura. Os espectadores riam de si mesmos sem sentir ofendidos.

mockup