O que ''Luz nas Trevas'' herdou de ''O Bandido da Luz Vermelha'', além da proposta de ser uma continuidade da história original filmada por Rogério Sganzerla?
O fato de ser companheira artística e de vida de Rogério faz com que meu cinema seja o cinema dele, com as diferenças de personalidade. Eu sempre estive vinculada ao novo, ao moderno, à vanguarda. O meu impulso foi realizar um filme tão bom quanto o dele com a intenção de ser uma obra autoral, revolucionária e que ao mesmo tempo fosse de entretenimento. Enfim, um filme bom para ser assistido e bom para ser ouvido, já que possui uma trilha sonora extraordinária. ''Luz nas Trevas'' é um filme de hoje para o futuro.
Um crítico usou a expressão ''neo-cinema marginal'' para definir o filme. Você concorda?
Eu acho engraçado esse rótulo cinema marginal. Cinema é cinema, não tem nada de marginal. O meu estilo é o do bom cinema, cinema que é essencialmente cinema.
Você está satisfeita com a recepção do filme pelo público e pela crítica?
O filme está se relacionando maravilhosamente bem com os espectadores, principalmente com os jovens. Ele já foi exibido em vários festivais. Em Locarno, na Suíça, foi eleito o melhor filme pela crítica independente.
Como foi a escolha de Ney Matogrosso para o papel do bandido da luz vermelha?
Eu queria um grande artista para fazer o personagem, alguém que fosse uma grande figura humana e artística. E o Ney atendia as minhas expectativas e mostrou que eu estava certa.
Você participou de um período rico de invenção do cinema brasileiro, atuando em filmes de Sganzerla e de Júlio Bressane, por exemplo. Como vê o panorama atual? Há diretores com a mesma inquietação trabalhando atualmente no País?
Há grandes cineastas em todo o mundo, apesar da imensa quantidade de filmes medíocres que surge no mercado. O cinema brasileiro continua novíssimo apresentando autores como Eryk Rocha, por exemplo, cujos filmes interferem de forma positiva da vida das pessoas.
Você está envolvida em algum projeto novo?
Tenho vários projetos. Um deles é uma adaptação do texto ''O Belo Indiferente'' de Jean Cocteau e que será protagonizado por Djin Sganzerla.

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