ENTREVISTA
Como será o show? Que repertório você traz a Londrina?
Será um mix de MPB com jazz. Vamos tocar músicas minhas e de compositores como Milton Nascimento, Dorival Caymmi e Toninho Horta. Uma parte do show será dedicada a temas instrumentais com vocalises.
O baterista será o londrinense Paganini, que há 5 anos está morando em São Paulo. É o primeiro show dele com você?
Ele sempre toca comigo em São Paulo quando meu filho, Serginho Machado, não pode me acompanhar por causa de outros compromissos musicais - atualmente está numa turnê com Elba Ramalho.
Você tem uma ligação com Londrina pois já morou aqui nos anos 70. Fale um pouco desse período.
Em 1975 passei uma temporada de alguns meses tocando na boate One Way. Depois retornei outras duas vezes: a primeira em 1981 quando me apresentei no Teatro Ouro Verde ao lado de Djavan e Fátima Guedes dentro do Projeto Pixinguinha; a segunda vez foi em 2004 também pelo Pixinguinha. Fiz amigos aí. Espero revê-los amanhã.
Atualmente você está envolvido com alguma gravação de disco?
Tenho músicas gravadas, masterizadas, mas estou num processo titubeante aguardando as condições do mercado para ver o que fazer. Não sei se vou prensar esse material em disco por causa da escassez de vendagens para o segmento de MPB. Mas continuo gravando. Agora mesmo pretendo registrar um trabalho de parcerias.
No ano passado, uma música sua em parceria com o Jorge Vercillo tocou nas rádios e fez sucesso em todo o Brasil, não?
O nome da composição é ''Arco-Íris'', com música minha e letra do Vercillo. Fez parte do álbum dele, ''DNA'', lançado no ano passado. Fizemos apresentações juntos para divulgar esse disco na Bahia, Ceará e Mato Grosso. Viajamos muito.
Mas a impressão é que, nos últimos anos, você tem feito mais shows no exterior do que no Brasil.
O exterior tornou-se o meu mercado. Do ano passado pra cá, fiz uma viagem para a Ucrânia, duas turnês na China, duas na França e duas nos Estados Unidos, onde realizei palestras e workshops em Berkeley e shows em Boston e Nova York. Participei também de um festival de jazz na Venezuela. Vale destacar que em Xangai desenvolvi um trabalho muito bonito em duo com a cantora local Jasmine Chen que consistiu em uma série de shows em que eu cantava uma música minha ou um clássico da Bossa Nova e ela cantava a versão em mandarim.
A sua relação com o exterior, aliás, vem de longa data. Você morou na França, não foi?
Vivi em Paris de 1989 a 1994. Ali desenvolvi uma parceria muito legal com o Michel Legrand e fiz um trabalho muito bonito com o maestro Paul Mauriat. Posteriormente, de 1998 a 2006, visitei 5 vezes o Japão e tive o privilégio de participar do festival ''Java Jazz'' em Jacarta, na Indonésia, ao lado de grupos como Kool & The Gang, Take 6 e Tower of Power. Em 2011, participei de um show maravilhoso no Carnegie Hall em comemoração aos 40 anos da Bossa Nova ao lado de músicos como Gal Gosta, Dori Caymmi, César Camargo Mariano, Toots Thilerman, Paulo Braga e Romero Lubambo.
Londrina está tomada por ritmos popularescos de apelo mais fácil junto ao público. Você vem inaugurar um projeto novo voltado exclusivamente para a música popular brasileira e que tem o objetivo de trazer compositores nacionais de prestígio à cidade. Conhece o projeto?
É uma boa iniciativa para mudar as coisas, embora não tenha contra ritmos como sertanejo, axé ou forró universitário. Acho que tem espaço para tudo.





