ENTREVISTA
A exposição reúne sua produção recente ou traz trabalhos produzidos ao longo dos anos?
Depois de três anos de pesquisas, estarei apresentando as novas pinturas com muito colorido, texturas e abstraindo cada vez mais minhas emoções e pensamentos. Será a primeira apresentação das minhas obras desta nova fase.
O que você aponta como características marcantes dessas pinturas?
Principalmente as cores, acredito ser o ponto mais marcante da nova fase. Com o passar do tempo fui deixando de lado muitos pré-conceitos (que não nos levam a nada) e focando somente no que é a minha verdade e meus sentimentos.
Que técnicas você utilizou neste novo ciclo de criação?
Depois de 40 anos de pintura e estando em um novo momento da minha vida, estava na hora de mudanças e de encontrar uma nova maneira para expressar tudo isso. Lancei mão da espátula e muitos outros recursos que, ao longo dos anos, fui absorvendo. Até então, somente o pincel era o meu instrumento de trabalho.
Qual a influência do Japão em suas pinturas?
Cresci num ambiente de muita poesia, onde meu pai fazia o haiku (haikai) e tinha um grupo que sempre se reunia em casa. Eu não saberia fazer um haikai, na forma escrita, mas agora sei que meu instrumento de expressão, em forma de poesia, é a pintura. A influência oriental adquiri desde a infância, porque vivia sob a influência do meu pai, sempre buscando preservar e transmitir muito da cultura do Japão antigo e tradicional aos filhos. Cresci absorvendo tudo isso e, de certo modo, acabei tendo um choque quando estive no Japão, pois encontrei um país moderno e muito diferente do que sempre aprendi e vivenciei no Brasil. Eu sempre digo que o verdadeiro Japão está no Brasil!
Quando você decidiu largar a profissão de publicitário para se dedicar integralmente à pintura?
Além de ser formado em publicidade pela Escola Panamericana, também concluí a Faculdade de Belas Artes, as duas em São Paulo. Desde pequeno eu já sabia o que queria, que era ser desenhista. Quando era diretor de arte em publicidade, num determinado momento decidi que iria criar para mim mesmo. Embora tenha levado as duas profissões ao mesmo tempo, decidi que era o momento de eleger e seguir uma. Depois de 40 anos de pintura estou confiante e agora não tenho dúvidas em afirmar que sou, de fato, um pintor.





