ENTREVISTA
Como será o show? Você virá acompanhado de banda?
É preciso que fique claro que não se trata de um show. É um encontro solidário entre criadores diante da violência sofrida por um de nós ao ter sua casa invadida e roubada. É a tentativa de transformar algo ruim numa coisa boa, que celebre a amizade, a afetividade, o bem-querer. Não vou com banda, nem técnico, nem produtor. Vou sozinho pois há coisas que são íntimas, pessoais, intransferíveis. Apesar dos caras que entraram na casa de Beatriz Bajo não saberem disso.
O repertório será uma retrospectiva de sua carreira? Vai cantar alguma musica inédita?
Não sei qual vai ser o repertório. A gente nunca sabe o que vai acontecer num encontro de amigos. Vou levar dois violões (um aço, um nylon) e tocar o que der na cabeça.
Seu último álbum é ''Francisco Forró y Frevo'', lançado em 2008. Tem planos para gravar um novo disco? Está envolvido em algum projeto de gravação atualmente?
O meu disco mais recente foi gravado antes do último que saiu. É o ''Cantos e Encontros de Uns Tempos pra Cá'', extraído da gravação de DVD de mesmo nome, gravado ao vivo no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Tem participações de Maria Bethania, Ana Carolina, Elba Ramalho e Chico Pinheiro. A ''banda'' é o maravilhoso Quinteto da Paraíba, uma das melhores formações instrumentais do Brasil em minha opinião. Agora no começo de setembro vou gravar o DVD do meu primeiro disco, ''Aos Vivos'', voz e violão, com participação de Bani Black fazendo o que foi feito no disco pelo Lenine e o Lanny Gordin 16 anos atrás. Ou seja violão, guitarra e vocais em algumas músicas.
Há dois anos, você tem atuado à frente de instituições oficiais de cultura em João Pessoa (PB). Que avaliação faz de suas atividades no setor? Está conseguindo realizar seus projetos?
Fiquei 1 ano e 8 meses na Fundação Cultural de João Pessoa. Há pouco mais de seis meses estou à frente da Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba, recém-criada. É um trabalho de estruturação, diferente do que foi feito na fundação. Lá era mais um lance de mexer com conteúdos, agora trata-se de criar mesmo uma estrutura nova, com participação dos vários segmentos culturais e, principalmente, da sociedade. É um desafio bem interessante e estimulante também.
Sua carreira artística foi sacrificada ao assumir o cargo?
Não há sacrifício nenhum, trata-se de um aprendizado, da oportunidade de lançar um novo olhar sobre a cultura, de reaprender a olhar a cultura, um olhar mais complexo eu creio. A vida é uma só. Nós não somos assim compartimentados. Tipo: artistas, gestores, torcedores de futebol, professores. É tudo a pessoa, o cidadão por assim dizer. A vida é muito mais importante do que a carreira. E aí a gente vai fazendo as escolhas sobre a vida que queremos viver, o que nós queremos fazer com nossa vida. A manifestação da expressão artística é um dos elementos pra mim.
Você tem acompanhado o trabalho dos novos intérpretes e compositores brasileiros? Destaca algum talento original na nova geração?
O Dani Black, esse que vai tocar comigo na gravação do DVD, acaba de gravar seu primeiro disco. Ainda não lançou. É um músico e compositor fantástico, com muita personalidade. É impressionante. Quem o escuta tocando e cantando suas músicas não fica incólume. Ele é um exemplo da pujança musical brasileira, que não para de jorrar e trazer novos criadores à cena. Tenho recebido muitos discos, eps, dvds pelo Brasil afora. Muita música boa. O que nos falta é estruturar essa economia criativa, falta política pública e renovação também na visão do mainstream fonográfico. Mas as pessoas não estão esperando sentadas. Está todo mundo buscando novas formas de se colocar ao sol.





