Folha de Londrina: De onde surgiu a técnica de tocar harmonia no contrabaixo? Quais foram suas influências?
Ebinho Cardoso: Eu sempre toquei de um jeito diferente, com harmonia. Quando gravei meu primeiro disco, os temas que mais chamaram atenção foram aqueles nos quais usei esssa linguagem. Daí fui buscando cada vez mais esse caminho porque queria descobrir a minha identidade, queria tocar diferente de outros baixistas. Durante sete anos pesquisei e publiquei minha visão no livro ''Harmonia e Dicionário de Acordes para Baixo Elétrico'', no qual falo sobre o processo de formação de acordes no instrumento e mostro um vasto dicionário sobre eles. Também tive influência de alguns músicos, entre eles o Ian Guest, que foi um dos revisores do livro. Eu o conheci, assim como outros grandes instrumentistas, durante o período de dez anos (entre 1995 e 2005) em que estudei na Escola de Música de Brasília.
Como os colegas reagiram às suas inovações?
Muita gente achava uma loucura. As pessoas ouviam e falavam: ''Larga o baixo e vai tocar guitarra! Larga o baixo e vai tocar piano!'' Às vezes os músicos têm medo de dar um passo para frente ou para o lado em vez de procurar ampliar o horizonte, que é vasto. Desenvolvi minha linguagem com um montão de técnicas buscando-as em outros instrumentos para adaptá-las para o baixo. Este ano estive em Boston (EUA) e dei uma aula para alunos de Berkley. Todos ficaram curiosos em saber como cheguei a essa linguagem!
O fato de morar em Cuiabá (MT), distante dos grandes centros, já atrapalhou sua carreira?
Recentemente saí numa turnê de 15 dias pelo Brasil acompanhado pelo percussionsita Marku Ribas e pensei: ''eu tenho que sair daqui''. Mas costumo dizer que o fato de ter ficado por aqui foi primordial para eu tocar da forma como toco hoje. Talvez se tivesse me mudado para o Rio ou São Paulo, teria me moldado às condições do mercado e não teria a mesma liberdade que tive para tocar e pesquisar o instrumento. Além do mais, paralelamente à carreira de instrumentista, atuo como produtor de eventos musicais que considero importantes para a cidade. Atualmente estou à frente de festivais como o ''Chapada in Jazz'' e o ''Festival Cover Baixo''. E já organizei a Semana de Música e o Festival de Inverno. Todos esses projetos me têm segurado em Cuiabá. Vejo essas atividades como uma missão. Por isso vou ficando até não dar mais jeito.

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