Quando surgiu a ideia de escrever o livro?
Tenho o desejo, um sonho mesmo, de escrever livros há muito tempo. Até quis escrever um nos anos 70, chamado ''A Banda dos Contentes''. Era uma história de ficção, mas não encontrei um final e desisti. Acabou virando o título de um disco (lançado em 1976). Passei esses anos todos procurando uma motivação, até que me toquei de uma coisa. Os músicos, em geral, quando se encontram, estão sempre contando ''causos'' da vida artística. Todo músico está sempre rindo, em grupo, lembrando dessas histórias. Então resolvei contar uns ''causos'' que aconteceram comigo também, com meus amigos.

Como foi o processo de escrita? Quanto tempo levou?
Dois anos e meio, mais um ano para fazer o fio condutor das histórias. Eu pensava no livro o dia inteiro. Sou assim normalmente, trabalho 24 horas por dia. Seja mentalmente, anotando ou gravando. No banheiro, na cama, acordava de noite com uma ideia na cabeça. Escrevia a mão, que é a única forma que acompanha a rapidez do meu raciocínio. Meu filho vinha uma vez por semana aqui em casa e digitava tudo.

Você se inspirou em algum livro semelhante?
Não, foi tudo da minha cabeça mesmo. E como não sou um leitor, não carreguei influência de ninguém. Fiz mais ou menos como faço na música, usei minha forma de narrar a coisas.

Houve algum tema que você não quis incluir no livro de jeito nenhum?
Não pensei nos momentos ruins. Também não entreguei nomes, porque isso não faz parte do meu caráter, nem as mulheres que eu comi. É um livro de boa fé, positivo, que nem eu sou.

Você autorizaria uma biografia sua?
Não acho legal biografia de um cara vivo. Vou ter prazer de ler a minha biografia quando eu morrer. (ri)

O que achou da proibição de ''Roberto Carlos em Detalhes''?
Não achei nada, porque eu não participei do processo. Também não li o livro. Não me meto nas coisas alheias. Se o Roberto proibiu, algum motivo ele teve.

Como nas suas músicas, o livro trata muito das mulheres. Você, que já escreveu tantas odes à figura feminina, vê algum tipo de desrespeito nas letras de funk, axé, sertanejo universitário e outros gêneros populares de hoje?

Machismo em música sempre existiu. O rock, inclusive, é machista para caramba. O samba também. Tudo é muito machista. Uma vez ou outra é que aparece uma ode à mulher. No funk, por exemplo, eu acho exagerado. Mas enquanto tiver uma mulher dançando funk, é porque elas gostam de ser chamadas de cachorras. Quando elas sumirem das pistas, os caras vão dizer: ''Pô, vamos falar bem delas então.

Quais são seus planos para 2010, quando você completa 50 anos de carreira?
Na minha vida as coisas vão acontecendo no momento certo. O livro, por exemplo, está saindo agora porque atrasou. Calhou de sair junto com o disco, não foi nada premeditado. Quantos aos 50 anos, não vou fazer nada. Quem quiser que faça para mim.

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