Os textos reunidos no livro trabalham com a técnica do conto-reportagem. Você sempre teve liberdade para explorar recursos da narrativa ficcional no jornalismo?


Só em alguns casos. Na reportagem pura, nunca misturei ficção com realidade, porque isso não é possível. Não dá para tratar denúncia de trabalho escravo, como relatei em uma reportagem, como se fosse coisa de cinema, de ficção.

O conto-reportagem ainda tem lugar na imprensa brasileira ou sua publicação reduziu-se aos suplementos literários?

O contista João Antônio foi o nosso grande craque do conto-reportagem. Com a sua a morte, em 1996, a imprensa brasileira praticamente ficou órfã desse gênero.


Em um dos textos, você afirma que Manoel de Barros não gosta de dar entrevistas, preferindo concedê-las por escrito. Com foram seus primeiros contatos com ele?

Nasci em Corumbá e como Manoel de Barros fora criado lá desde os dois meses de idade, puxei papo sobre a nossa cidade, e disse que tinha conhecido um dos personagens imortalizados pela sua poética, o Bola Sete. Dali por diante, nossa amizade se intensificou. Quanto à relação com a imprensa, acredito que não seja de sua personalidade ser indelicado com o interlocutor; por isso, muitas vezes, ele solicita que a entrevista seja por escrito. Sábia maneira de evitar constrangimento. É que o poeta se cansou de entrevistador que nunca tinha lido a obra dele; uma sequer. Assim não dá, né?


Qual é o próximo projeto literário?

Já faz tempo que livros meus vêm sendo editados. Em 1997, por exemplo, saiu ''A história de Zé Vida de Barraca''; em 2002, o livro de contos ''O casamento vai acabar com o Poeta''. Antes disso, porém, escrevi dois ou três outros livros, mas que se encontram, por enquanto, engavetados. Acredito que ainda este ano teremos um novo livro de contos. Título provisório: ''Calçadas de um luminar''.

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