ENTREVISTA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Gabriela Germano<br>TV Press 
Edson Celulari até já incorporou personagens com perfis incomuns na tevê. Casos do capa e espada Jean Pierre, de Que Rei Sou Eu? ou do italiano de cabeça raspada Ciccino Matarazzo, da minissérie Um Só Coração. Mas os galãs seduzidos são os que mais recheiam o currículo do ator. Foi assim com o tio Glauco, de América, que se deixou levar pela jovem Lurdinha, vivida por Cléo Pires. É assim com o militar Silvio, personagem que interpreta em Páginas da Vida, e que já se apaixona pela segunda mulher na trama. A classificação de galã, comumente atribuída a ele, não causa incômodos. Antes de ser galã, sou ator. É isso que importa, afirma. Com encantadores olhos azuis e muito em forma aos 48 anos de idade, Edson continua fazendo sucesso entre as fãs e entre as personagens do folhetim que protagoniza. Apesar da aparência impecável, o ator põe em dúvida suas capacidades para continuar interpretando bonitões por muito tempo. Já cheguei em um determinado ponto. Vamos ver até quando terei o perfil para fazer galãs, relativiza.
Com 27 anos de carreira televisiva, como é trabalhar pela primeira vez em uma novela escrita por Manoel Carlos?
Estou adorando a experiência e me divertindo muito. Acho que o Maneco tem uma sensibilidade muito aguda para tratar o cotidiano. Às vezes de um ponto de vista dramático, às vezes trágico e, em outras, simplesmente com um olhar cotidiano mesmo. Sempre gostei de acompanhar as novelas dele como telespectador. Agora, participar de uma, é melhor ainda.
Uma das características do autor é entregar os capítulos em cima da hora. Como você lida com isso?
Pelo menos para mim, não é ruim. Esse é um estilo dele e a gente tem de respeitar. Tento assimilar isso e transformar em algo que seja estimulante. Não é possível planejar o personagem em uma novela dele, mas me entendo bem com o texto e não sofro por isso. Se tenho uma cena com a Olívia (personagem de Ana Paula Arósio), por exemplo, que pode desencadear uma discussão ou um lindo beijo romântico, tenho que atuar de uma maneira que possa gerar essas duas possibilidades no futuro. Isso é um ótimo exercício. Quanto ao problema de decorar as falas, em uma novela com tantos atores, sempre dá tempo. O problema maior de receber os roteiros em cima da hora é o quanto isso interfere no nosso cotidiano pessoal. Se não sei o que vou fazer amanhã, fica difícil marcar um médico ou um outro compromisso qualquer. Mas sei que isso vai durar um período específico e me preparei para essa realidade.
Como você disse, as novelas de Manoel Carlos têm um elenco grande. O fato de alguns personagens serem colocados de escanteio na história o incomoda?
Todo mundo que atua nas novelas do Maneco sabe que ele trabalha com um elenco gigantesco. E é impossível escrever uma novela com mais de 100 atores em que todos tenham destaque o tempo inteiro. Isso não me incomoda nem um pouco. Não vejo problema que minha história fique mais apagada em algum momento para que ele trate de outro assunto. E quer saber? Tem espaço para todo mundo. Vários colegas, antes da novela começar, me deram um toque em relação a isso, já que era a minha primeira experiência com o autor. Mas acho bacana esse rodízio de temas com o qual ele trabalha. Penso, inclusive, que isso faz a novela funcionar junto ao público. É uma diversificação de assuntos e, a cada noite, você senta para acompanhar uma página da vida de um personagem ou de outro.
Você acha que o Sílvio é atraído pelas mulheres? Ou na verdade é ele que as seduz?
Não acho o Sílvio tão sedutor. Ele não sai cantando as mulheres. Penso que há coisas que estão impregnadas no ator. O carisma, o dom para fazer comédia. Cada um tem um espaço. Geralmente me são designados personagens que têm vários relacionamentos afetivos, com o arquétipo do galã. Mas não me incomodo de ser classificado como galã porque já fiz personagens que fogem desse perfil. Não parto do princípio de que sou um ator sedutor. Mas se o personagem é, não vejo problemas. E já estou em uma certa altura da vida que não sei até quando vou continuar a fazer esse tipo de papel.
Sedutor ou não, o Sílvio já se envolveu com a Olívia e com a Tônia. Ele também vai se relacionar com a Márcia?
As novelas do Maneco sempre geram uma novela paralela. A história do o que será que vai acontecer?. Especula-se que o Sílvio vá se envolver com ela, mas nunca soube disso. A especulação se repete, como no caso da bissexualidade do personagem, que tanto comentaram.
Você não confirma que, em algum momento, o autor cogitou que o Silvio fosse bissexual?
Não havia essa intenção. Só repassei as informações que recebi do autor e da emissora. Se viesse isso no perfil do personagem, eu faria e pronto. Não tenho problema de fazer qualquer tipo de personagem, desde que ele gere uma discussão interessante. O ator tem de ter essa disponibilidade. Mas não foi o caso e o personagem seguiu um caminho diferente.


