Poucos minutos com Paulo Henrique Amorim são o bastante para creditar a ele o adjetivo de ''afiado''. Breve e objetivo nos comentários, ele sabe bem quando pode soltar farpas ou evitar críticas. De fato, a bancada do ''Jornal da Record'' perdeu a bela estampa de Cláudia Cruz, mas incorporou a credibilidade do experiente jornalista com mais de 40 anos de carreira. Agora, Paulo Henrique acumula as funções de âncora e editor chefe do noticiário, que vai ao ar diariamente às 23h45 na Record. ''Sou responsável pelo conteúdo, mas tenho um braço-direito, o Vander Pereira, um profissional que, como eu, aprendeu a fazer tevê na Globo quando a Globo tinha o que ensinar'', explica, sem resistir ao arremate mordaz.
Na emissora de Roberto Marinho, Paulo Henrique foi durante muitos anos repórter, editor, correspondente em Nova York e comentarista econômico. Na Band, ancorou o ''Jornal da Band'' e o ''Fogo Cruzado''. Na TV Cultura, desenvolveu e comandou o ''Conversa Afiada''. O programa sobre economia virou quadro na segunda edição do ''Jornal da Record'', quando ele migrou para a emissora no ano passado. Além do ''JR-2'', o jornalista comanda o UOL News, uma espécie de telejornal na Internet. Nos dois jornais, levanta a bandeira de uma cobertura com mais informação e menos opinião. Atualmente, porém, evita divergências com a linha adotada, entre outros, por Boris Casoy na própria Record. ''A emissora tem seis jornais. Cada qual é cada qual'', escapa, secamente.

O telejornal tem a cara do âncora que o apresenta. O que muda no ''Jornal da Record'' com você na bancada?
O noticiário vai ser ou melhor, já é um jornalismo ágil. Vamos investir mais nas principais notícias do dia e nas análises e sessões que ajudam o telespectador a digerir as informações. Sem deixar de lado um toque de bom humor, quando possível. Um acerto foi o quadro ''Conversa Afiada'', que fala de economia com simplicidade. Aliás, a linguagem rebuscada, para a tevê ou para a vida, é uma tragédia. A informação é o que importa. Uma evidência disso é que nem as emissoras nem os telespectadores estão engolindo mais o mero leitor de teleprompter.

As empresas de tevê estão passando por um período de cortes e dificuldades financeiras. Qual é a estrutura que você tem para trabalhar na Record?
Os equipamentos que temos à nossa disposição são moderníssimos, do cenário à computação gráfica. É o que há de melhor! A empresa investiu no projeto do telejornal e a estrutura do ''JR-2'' se ampliou. Acredito que a Record tem tudo para fazer uma televisão de qualidade.

Mas qualidade também é conteúdo. Você saiu da Globo reclamando que não tinha liberdade política para trabalhar, deixou a Band com a fama de que incomodava os ''palacianos'' do Planalto. E na Record, não existem assuntos ''tabus''?
A emissora, até agora, não me deu ciência de nenhum ''tabu''. Conversei com o Boris Casoy antes de ir para a Record. Ele trabalha há mais de dez anos na emissora e também não me falou de nenhum assunto proibido. Assim, me sinto à vontade para falar do que bem entendo. Mas minha função, como jornalista, é informar sem opinar.

Uma escola bem distinta daquela propagada pelo próprio Boris Casoy, na Record...
Somos de religiões diferentes. Acredito que o jornalista deve, sim, fazer correlação entre os fatos. Mas não emitir opinião. Esta, pelo menos, não é minha seara. Agora, a Record tem seis jornais. Cada qual é cada qual...

E como ex-correspondente internacional, você sente-se à vontade para dar sua opinião sobre a cobertura da guerra no Iraque?
É uma lástima que a imprensa brasileira não tenha hoje o dinheiro e o apetite para fazer uma cobertura decente. As agências de notícias podem facilitar o acesso às informações. Mas são uma lástima para o jornalismo e para o público. É indispensável ter um brasileiro no local dos acontecimentos para mostrar o nosso ponto de vista. E só tivemos um único jornalista brasileiro em Bagdá durante essa guerra. Um! E não era de televisão...

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