ENTREVISTA - Weezer nunca quis ser uma banda indie
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sábado, 01 de outubro de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Eles foram a principal atração do Curitiba Rock Festiva, na semana passada, vieram pela primeira vez para a América do Sul e fizeram uma apresentação inesquecível. Weezer, quarteto de Los Angeles formado por Rivers Cuomo (guitarra e vocal), Patrick Wilson (bateria), Brian Bell (guitarra e vocal) e Scott Shriner (baixo) deram uma entrevista coletiva poucas horas antes dos portões serem abertos. E aqui está o que eles disseram:
Essa é a primeira vez de vocês no Brasil. Como vocês se sentem em tocar pela primeira vez para a galera brasileira? E há algum setlist especial para brasileiros?
Rivers Cuomo - Não sei o que vai acontecer lá fora, não sei o que esperar. Sim, mudamos um pouco o setlist, colocamos mais uma música, do álbum Pinkerton, porque ouvimos rumores de que nossos primeiros álbuns são mais populares por aqui. Não sabemos qual será, então você terá que ver.
Brian Bell - Eu estou bastante ansioso e contente por poder tocar no Brasil, demorou um tempo para virmos para a América do Sul, mas estamos aqui.
Scott Shriner - Também tenho bons amigos aqui, eles me levaram para comer churrasco, e também estou feliz por causa disso.
Ouvi dizer que a gravação do último álbum foi um pouco mais difícil, vocês podem falar um pouco mais sobre isso?
Pat Wilson - Demorou mais tempo. Tivemos algumas fases e músicas diferentes, não queríamos gravar as coisas pela metade, leva um pouco de tempo para terminar as coisas. É verdade, foi um pouco mais difícil que qualquer outro álbum, mas todos os álbuns são difíceis de gravar. Mas acho que no final ficou bom.
Quando vocês procuraram por Rick Rubin, conhecido por ter trabalhado com bandas heavy metal, vocês procuraram por um caminho mais pesado e sombrio para o álbum?
Scott - Não acho que consideramos Rick Rubin como um produtor mais pesado e sombrio. Procuramos aproveitar como ele trabalhou com outras bandas, como o Red Hot Chilli Peppers, em que ele deu uma limpada no trabalho e deixou as músicas mais pop e rock. Acho ele um bom produtor e ele realmente deu uma limpada antes do álbum ser lançado. Não acho que ficou mais sombrio com Rick Rubin.
Brian - Acho que Maladroit foi mais pesado e sombrio que Make Believe e fomos nós que produzimos. E como o Scott disse, tem a ver com a limpeza.
Sobre o novo videoclipe, We Are All On Drugs, tem letras polêmicas, como o nome da música (N.R. algo como Estamos Todos Drogados). O que está escrito nas letras acontece mesmo ou é algo apenas para se divertir?
Rivers - Nossas intenções são boas. Acho que é sobre tendências que vejo - falo por mim aqui - na sociedade moderna de consumo que tenta estimular-se com tevê, filmes, música ou relacionamentos. Ou sobre como tentam se drogar com algum tipo de experiência. É sobre isso que a música fala e sobre o que o vídeo fala também. Vemos essas pessoas pela cidade, totalmente fora de si, e acho que elas estão todas drogadas. Não só quem se droga de verdade mas também sobre todas as pessoas que se drogam de alguma maneira.
Trabalhar com Rick Rubin quer dizer não ser mais uma banda indie?
Rivers - Weezer nunca quis ser banda indie. Quando começamos, havia muitas bandas que eram assim, assinando com selos indie, gravando em vinil, colocando seus adesivos pela cidade. Nunca ligamos pra isso. Sempre quisemos o sucesso desde o primeiro álbum. Assinamos com uma grande gravadora, fizemos um videoclipe e fizemos tudo que pudemos para ser uma banda pop. Essa sempre foi nossa intenção em cada álbum. Algumas vezes produzimos o álbum e falhamos nesse objetivo. Mas o objetivo sempre foi ser uma banda pop e acredito que Rick nos ajudou a alcançar esse objetivo.
Que tipos de bandas vocês estão escutando? Apenas rock ou outro tipo de música?
Rivers - Apenas escuto bastante as da Americas Top 40.
Brian - Eu não conheço direito a música brasileira mas ouvi dizer coisas boas sobre a música brasileira. Comprei o novo do White Stripes, o novo do Gorillaz.
Scott - Gosto de ouvir músicas que acho bastante diferentes do que tocamos.
Como você se sente escrevendo sobre angústia adolescente tendo 30 e tantos anos e do fato de tantos adolescentes se identificarem com as letras? O próximo álbum também será assim?
Rivers - Espero que não. Estou tentando crescer (risos). Espero que faça coisas em uma perspectiva mais madura. Acho que o pesa pra mim é que não tenho tido um relacionamento sério com uma mulher por um bom tempo (N.R. em entrevista à revista Rolling Stone, Rivers confessou que não faz sexo há dois anos). Todos esses caras (os companheiros de banda) tem parceiras sérias e eles podem cantar sob uma perspectiva mais madura. Mas em várias coisas sou uma pessoa muito imatura e tenho bastante coisa pra fazer para crescer.
E sobre os planos para o futuro, novo álbum...
Scott - Vamos terminar nossa turnê pelos Estados Unidos e alguns países fora, até dezembro, depois no final do ano o Rivers vai terminar seus estudos... Pat e Brian começam a trabalhar no novo álbum e quando Rivers terminar suas coisas ele se junta a nós.
Avril Lavigne - que esteve em Curitiba um dia antes da apresentação do Weezer no Curitiba Rock Festival - disse que não estuda mais porque diz que não precisa mais estudar. O que vocês acham disso?
Rivers -Não precisamos estudar, mas gostamos.
Pat - Ela é do Canadá. (Risos)
Como foi a experiência de gravar com Hugh Hefner, dono da Playboy, e as coelhinhas (N.R. o videoclipe da música Beverly Hills foi gravada na Mansão da Playboy)? Beverly Hill é mesmo o lugar onde vocês gostariam de estar?
Pat - Sim, nos divertimos bastante gravando na Mansão da Playboy, Hugh foi muito legal com a gente. Foi bom estar com as garotas, os fãs compareceram e todos se deram surpreendentemente muito bem.
Rivers Cuomo - Acho que para todos nós Beverly Hills significa algo entre o amor e o ódio. De muitas maneiras é muito atraente, parece ser divertido viver entre os ricos e essas coisas, com carros chiques, mas ao mesmo tempo representa valores superficiais e há coisas mais importantes para nós, como boas pessoas, nossa família... E por isso é uma coisa amor/ódio.


