''Mulheres Apaixonadas'' colocou em evidência o tratamento desumano que muitos idosos sofrem dentro da própria família. Na novela, a rebelde Dóris maltrata os avós Leopoldo e Flora vividos por Oswaldo Louzada e Carmem Silva, respectivamente , em cenas que indignaram os telespectadores. ''As maldades da Dóris com os avós não podem ficar sem castigo''. Quem faz a cobrança não é um representante de qualquer associação de defesa dos idosos, mas a própria Regiane Alves, intérprete da personagem. Mesmo assim, a atriz acredita que a Dóris ainda pode se arrepender dos erros. ''De repente, se um dos avós morrer'', sugere.
Regiane destaca que a polêmica mostrou o alcance social da trama. Ela acha que a sociedade passou a discutir mais o assunto. A atriz aponta o Estatuto da Terceira Idade, já aprovado pela Câmara dos Deputados, como a materialização do debate. ''É legal ver que o seu trabalho contribuiu para uma boa causa'', valoriza.
A atriz não se cansa, também, de expressar a admiração pelos atores que formaram sua família em ''Mulheres Apaixonadas''. ''O nosso convívio foi de uma família mesmo'', conta. Regiane exalta, sobretudo, a disposição dos atores mais veteranos, como Carmem Silva, Louzadinha e Marcos Caruso. ''Só pode servir de inspiração para a gente'', elogia.
''Mulheres Apaixonadas'' está bem perto do final. Qual é o balanço que você faz da novela e, em particular, da sua atuação?
Nossa! Foi uma época maravilhosa para mim! O ator tem sempre que acreditar no papel que vai interpretar. E eu acreditei na Dóris. Mas é preciso que o autor e o diretor acreditem no nosso trabalho também. O bom é que o personagem foi bastante polêmico, mas houve também toda essa dimensão social. Quando eu fui a Brasília, senti, de verdade, o alcance do trabalho. Ainda mais com o Estatuto do Idoso sendo aprovado, né? Fica a sensação do dever cumprido.
Depois de tudo o que a Dóris aprontou, qual deve ser o desfecho para ela?
Minha vontade é que o Maneco dê uma lição. Porque depois de tanta maldade, a Dóris não pode sair impune. Não seria certo se ela ficasse bem no final. Mas, eu acredito que ela possa se arrepender, também. De repente, se alguém morre, um dos avós, por exemplo. Pode ser que ela tenha remorsos e sofra com isso. Só que, de algum jeito, ela tem de pagar.
Quando foi convidada para a novela, você esperava que a Dóris tivesse tanto destaque ?
Nós não recebemos nem a sinopse da novela. Quando o Manoel Carlos me chamou, eu só sabia que ia fazer uma vilã. No começo, fiquei com medo, porque as vilãs do Maneco são sempre muito fortes, como a Branca de ''Por Amor''. Sobre o espaço que a Dóris teve, nós dependemos muito do autor. Se ele escreve muitas cenas para você, o personagem aparece mais.
Mas, fazendo uma auto-avaliação, qual foi a importância do seu desempenho para influenciar o traballho do Manoel Carlos?
O que acho importante é que eu não defendo meus personagens. Na hora de interpretar uma vilã, eu sou má e pronto. Mas, também, se for para fazer uma boazinha, é assim que eu vou ser. O Maneco percebe essa entrega do ator. Outra coisa legal foi a identificação do público com aquela família. As pessoas sentem que os personagens são verdadeiros, como uma família comum de classe média.
O que você pretende fazer quando acabarem as gravações?
Recebi um convite do Roberto Santucci para fazer o longa ''A Justiça dos Homens''. As filmagens devem começar em fevereiro do ano que vem. Estou esperando o lançamento do filme do Sérgio Rezende, ''Onde Anda Você'', que deve acontecer em janeiro. Agora, o que quero mesmo é descansar. Estou gravando até 11 horas noite e recebo o roteiro do dia seguinte a uma da manhã. Dá medo de ter uma cena difícil e não dar tempo de assimilar. Se bem que, a essa altura, o personagem já está muito dentro da gente. Então, é mais o trabalho de decorar o texto mesmo. Preciso muito de um descanso.

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