Sônia Braga subiu no telhado e, ao contrário do mau presságio que cerca essa expressão, deu-se muito bem. Afinal, Gabriela escalando aquelas telhas na TV Globo em 1975 é um clássico. Uma volta ao mundo depois e incontáveis convites recusados para fazer novela, ela retorna ao País e ao gênero que a consagrou: faz 20 anos que não encara um folhetim inteiro. Em abril, começa a gravar ''Páginas da Vida'', próxima novela das 9 da Globo, de Manoel Carlos.
O retorno não veio antes, não por falta de propostas tentadoras. Em 1999, fez dez capítulos de ''Força de Um Desejo'', de Gilberto Braga, claro. Mas o que a seduziu a deixar Nova York, desta vez, foi puro destino. Assim conta Sônia à reportagem.
Foi durante a entrevista que ela tomou conhecimento do elenco que a espera na novela a seguir. ''Bete Mendes?! Adoro!'' ''O Thiago (Lacerda) também está? Nossa, que elenco!'', entusiasma-se. Franqueza na ponta da língua, 55 anos feitos, não se esquiva de falar em menopausa e bisturi. A seguir, um resumo da entrevista.

Por que só agora você resolveu fazer novela de novo no Brasil?
Nunca estive fechada a isso. O que aconteceu é que esses convites coincidiram com outros projetos meus lá fora, nunca dava certo. Desta vez calhou de dar certo, tudo. Já existia uma intenção minha de ficar fisicamente no Brasil de novo, tanto é que arrumei uma casa em Niterói (Rio). Parece que decidi de repente, mas não foi. Esta volta demorou quase dez anos.

Em outras ocasiões você disse que não tinha aceitado porque o salário não era o que você queria?
sso é parte de uma verdade. A questão não era só dinheiro, é a hora mesmo.

E deixa de vez os EUA?
Não quero abandonar o país. Gosto muito do meu estilo de trabalho lá. Sempre escolhi o que fazer, desde os filmes às pequenas participações. Se me apaixono por filmes pequenos, simples, independentes, faço. Fiz muitos projetos assim, coisas que não chegaram na tela grande, mas correram festivais, ganharam prêmios. ''O Beijo da Mulher Aranha'' era um filme experimental. Sabe que eu fiz um filme todo improvisado? Agora acabei de filmar um projeto independente, ''The Hottest State'', do Ethan Hawke, baseado em um livro dele.

Sua participação em ''Sex and the City'' foi muito comentada por aqui...
Lá também! Foi maravilhoso. Nos Estados Unidos é uma honra ser convidado para um seriado desses. Poxa, depois entrou o Mikhail Baryshnikov na série.

Como será seu papel na novela?
Sei o nome dela, Tônia, e que será casada no futuro com o Tarcísio Meira, só. Ainda não conversei com o Jayme Monjardim (diretor) nem com o Manoel Carlos direito.

O que a marcou mais: Gabriela ou Júlia Mattos?
Gabriela é uma das novelas mais importantes da minha vida, é a que fez a minha imagem. Se algum dia me viram como uma mulher bonita, a culpa é dela, mais precisamente do Jorge Amado (risos). Foi a Gabriela que abriu as portas para mim. Mas sou uma colagem de todas essas mulheres que fiz: Gabriela, Dona Flor, Júlia Mattos...

O que pensa de a Record planejar um remake de ''Gabriela''?
Como todos os clássicos, ''Gabriela'' tem de passar, seja em reprise ou remake, para que as novas gerações possam conhecê-la, assim como ''Macunaíma'' e outros.

Você acha que o público brasileiro ainda a vê como sex symbol?
Seria bom, né? Existem dois tipos de mulher bonita: a que sai para caminhar, chega no topo de uma montanha suada e com sua missão cumprida, e é linda, linda de viver. A outra é a que as pessoas acham bonita. Esta segunda é o que ofereço, esta é a minha imagem.

Você demorou a fazer plástica...
É, fiz quando eu fiz (risos). Não tinha idéia de fazer, mas aí começou a crescer algo em minha pálpebra e procurei o Pitanguy. Ele disse: ''Sônia, sabe o que eu faria? Faria algo para mudar esse rosto cansado, você está com uma fisionomia cansada.'' Disse que com um procedimento simples eu já me sentiria bem. Voltei para Nova York e fiquei pensando. Depois liguei e pedi para minha irmã marcar. Tinha medo de mudar meu rosto. Aí, parei de fumar, voltei a malhar, mas engordei muito. Fiz plástica de novo e comecei a fazer escalada. Não gosto de academia.

Não tem medo de envelhecer?
Por incrível que pareça não me sinto diferente de 20 anos atrás. As mulheres estão envelhecendo com menos medo. Quando entrei na menopausa, fiquei feliz com aqueles calores (risos). Eu pensava: 'Nossa, se de repente me der aquele calor, e eu ficar ensopada de suor, será legal, vai parecer que saí de uma aula de ginástica sem ir a lugar nenhum'. É assim que a gente tem de lidar com a vida.

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