Curitiba ''Você já leu algum livro de Yves Hublet'' ? Não se acanhe se não souber responder a pergunta. Aos 68 anos, o escritor curitibano é bem mais conhecido por protagonizar um episódio político o de ter dado três bengaladas no ex-ministro José Dirceu, no final do ano passado do que pela sua produção literária. Mas de carona com a fama súbita, o escritor está relançando alguns de seus livros. Radicado atualmente em Brasília, voltou a capital para participar do lançamento do seu mais recente trabalho ''O Dia em que o Homem Voou'', pela Record, na II Feira do Livro de Curitiba, que termina hoje na Praça Osório.
Em entrevista exclusiva à Folha2, contou como e quando começou a escrever, influenciado por uma família de ávidos leitores. ''Meu gosto pela leitura está no DNA'', disse. Filho de mãe brasileira e pai belga, Hublet nasceu em Curitiba, mas teve sua formação educacional dividida entre São Paulo e Rio de Janeiro. As viagens aconteceram por causa da profissão do pai, técnico da aeronáutica.
Enquanto se dedicava à sua formação literária, lendo muito, conforme revela, Hublet vendeu livros, foi revisor e atuou como cabo eleitoral do PT. Também foi piloto de aeroplano, o que lhe rendeu um acidente aos 20 anos e que hoje o leva a usar a bengala, ''arma'' que o projetou para fama. A seguir a entrevista que Hublet concedeu à Folha2.

Como o senhor iniciou a sua trajetória literária?
Eu comecei cedo, por influência da minha mãe. Ela recebeu educação primária, mas era uma educação estruturada naquela época, que permitiu que ela me alfabetizasse aos cinco anos de idade. Aos seis, ela me deu o primeiro exemplar do ''Dom Quixote para Crianças'', do Monteiro Lobato. Aos seis anos eu já tinha condições de ler e entender o Dom Quixote. Era uma versão reduzida, claro, mas já conhecia o personagem e aquilo foi pela minha vida afora. Eu diria que a semente da literatura me veio naquela época. Eu não tive formação universitária, mas publiquei livros, além de matérias em jornais e revistas. E, se eu sou um escritor hoje é porque li muito na infância.

O senhor começou escrevendo para crianças?
Eu comecei tentando escrever para televisão. Fiz roteiro para cinema, que é uma coisa que eu adoro, mas nenhum chegou a ser encenado. São inéditos. E mesmo para televisão só foi ao ar anos depois que escrevi alguns roteiros, nos anos 80. Eu trabalhei em 1980 como co-diretor do seriado ''Bem Amado'', exibido pela Rede Globo. Eu também tinha algumas sinopses de minha autoria em poder do Dias Gomes. Em 1982, me chamaram para assinar um contrato de uma história que estava com ele e que chegou a ir ao ar, chamada ''O Valentoso Maronauta''. O Lima Duarte chegou a dizer que era a melhor história daquele ano. O caso rendeu uma briga por direitos autorais, mas não quero que você publique nada sobre isso.

A entrevista com o escritor Yves Hublet continua na página 3

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