ENTREVISTA - Tempo quente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de janeiro de 2004
Daniela Valente<br> TV Press 
Aos 14 anos, Otaviano Costa resolveu ser locutor. A partir da decisão, muito naturalmente foi bater à porta da rádio Jovem Pan pedir para trabalhar. Não era tão fácil. Mas a cara-de-pau valeu. Acabou sendo chamado para fazer o ''Pan Demônium''. Logo depois fez teste para VJ da MTV. E passou. ''Considero-me mutante. Topo tudo, desde que seja interessante para minha carreira. Não tenho medo de desafios'', diz.
Otaviano já trabalhou no SBT, CNT, Globo e até substituiu Luciano Huck, na Band, tomando o comando do ''H'', que gerou o ''O+''. Em 2001, foi para a Record e de lá para cá fez vários programas. Atualmente divide com Adriane Galisteu o comando do ''Bahia 50º'', programa de verão da emissora, produzido no Pier Bahia, em Salvador. ''Como apresentador posso reunir tudo o que aprendi nesses 15 anos de carreira. Amo o que faço'', assume.
O que o ''Bahia 50º'' traz de interessante para você?
Como é um projeto em conjunto com o governo baiano, há o compromisso de estarmos fazendo reportagens sobre Salvador, mostrando alguns detalhes sob um ponto de vista diferenciado. Música e jornalismo fazem parte do programa, que tem um desafio interessante por estar no ar, ao vivo, em horário nobre. Não é a minha primeira temporada trabalhando nesse esquema e estou à vontade com o projeto. O astral do Carnaval baiano é muito bom e a energia é maravilhosa. Sou noivo de uma baiana e me identifico muito com Salvador. Também tenho um bom relacionamento com a Adriane.
Qual é a sensação de estar voltando à tevê?
Estou muito feliz. Estava fora desde abril de 2003 e já sentia saudades. A tevê nos oferece uma carreira com altos e baixos e isso é muito complicado. Tudo gira em função da reciclagem do mercado, da mudança de executivos, não da capacidade profissional do artista. A tendência mercadológia é que move a carreira das pessoas. Temos de ter maturidade para entender e aceitar os momentos bons e os ruins. Sou apaixonado pelo que faço. Penso que o meu balanço televisivo é positivo.
Mas você nunca ficou muito tempo numa mesma emissora...
Realmente já passei por várias emissoras, mas fico feliz com isso. Encaro com naturalidade, como uma evolução. Depende muito de sorte e reconhecimento. Às vezes, estava contratado por uma emissora e outra me convidava para um projeto. Os executivos sacaram que eu tenho um perfil de pluralidade. Não me importo em trabalhar em uma emissora pequena, desde que esteja sendo respeitado e tenha boas condições de trabalho.
Mas mesmo na Record você teve vários programas que não emplacaram...
Comecei na Record apresentando o ''Domínio Público'', que era um programa para o público jovem, e disputava audiência com a tradicional novela juvenil da Globo , ''Malhação''. O programa tinha qualidade e era de entretenimento, mas eu e a emissora não nos colocamos bem estrategicamente em relação ao horário. Sobre o ''Jogos de Família'' não posso me posicionar. O programa tinha três grandes patrocinadores e conseguimos o terceiro lugar no ibope, com quatro pontos. Não consigo entender porque saímos do ar, mas com certeza, a direção da emissora teve seus motivos. Já o dominical ''No Vermelho'' tinha o seu fim previsto. Foi um desafio muito grande. Disputar com o ''Domingão do Faustão'' e o ''Domingo Legal'' não é missão fácil. O Datena não conseguiu realizar essa tarefa e nem eu.
Depois do ''Bahia 50º'', quais são os seus projetos?
Por enquanto estou me dedicando somente ao ''Bahia 50º''. Estou sendo sondado para cobrir o Carnaval da Record e para participar do dominical ''Impacto'', uma revista eletrônica. Acredito que esse jornalismo voltado para o público jovem seja a minha oportunidade em 2004. A previsão é de que eu esteja apresentando esse programa ao lado de Milton Neves e Fernanda Fernandes. O meu contrato com a emissora vence em outubro de 2004 e, por mim, vou renovar. Pretendo estabelecer, junto com a Record, um trabalho a longo prazo.


