ENTREVISTA - Tempo de serenidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de julho de 2005
André Bernardo<br> TV Press 
Priscila Fantin é uma otimista incorrigível. Dessas que tira lições de tudo que lhe acontece. Foi isso que aconteceu em ''Esperança''. Apesar do desgaste emocional da novela, fez amizade com Walcyr Carrasco, que substituiu às pressas Benedito Ruy Barbosa. Um ano depois, ele a convidou para interpretar a antagonista de ''Chocolate com Pimenta''. Mas a parceria não parou ali. Quando começou a escrever ''Alma Gêmea'', criou uma índia mestiça só para escalar Priscila, dona de belos olhos verdes e pele alva, como protagonista. ''Fui escolhida porque o Walcyr queria alguém que passasse, no olhar, a crença na reencarnação e na existência de almas gêmeas, coisas nas quais acredito'', pondera.
Na nova novela da seis, a personagem de Priscila, Serena, é a reencarnação do grande amor de Rafael, interpretado por Eduardo Moscovis: a bailarina Luna, de Liliana Castro. A exemplo de Walcyr, adepto da Rosa-Cruz, Priscila também acredita em alma gêmea. ''Mas com ressalvas'', destaca a atriz que há sete meses namora o estudante de Turismo Rafael Paiva e acredita que alma gêmea não precisa ser necessariamente a pessoa com quem se tem um relacionamento amoroso.
Com apenas 22 anos de idade, Priscila já contabiliza quatro novelas e uma minissérie no currículo. Das produções em que atuou, só não encabeçou o elenco de ''As Filhas da Mãe'', de Silvio de Abreu. Nas demais, interpretou sempre um dos papéis principais, como a romântica Tati, de ''Malhação'', a sofrida Maria, de ''Esperança'', e a dissimulada Olga, de ''Chocolate''. Ainda hoje, lembra do telefonema de Ricardo Waddington que, em 1998, pôs fim a um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. Mas, por outro lado, deu início a uma das mais promissoras carreiras dos últimos anos.
Pela quarta vez consecutiva, você faz um trabalho de época. O que mais chama a sua atenção numa produção do gênero?
Particularmente, acho fascinante porque sempre aprendo coisas que não aprendi no colégio. Muitas vezes, não conhecemos a verdade que existe por trás de certos fatos históricos. Por isso, acho que prestamos um serviço ao telespectador. Além disso, é uma viagem no tempo que faço a cada novo trabalho. Veja bem: ''Mad Maria'' se passou em 1911, ''Chocolate'' retratou a década de 20, ''Esperança'' foi em 1931 e, agora, pulamos para a década de 40, em São Paulo.
Apesar dos olhos verdes e da pele alva, você interpreta uma índia na novela. Que cuidados tomou para compor a Serena?
Posso garantir que fui a primeira a levar um susto. Afinal, não tenho o tipo físico que a personagem exige. Mas o Walcyr explicou que a Serena é mestiça, filha de índia com garimpeiro. Para compor a Serena, estudei a cultura dos índios kadiweu com a ajuda do antropólogo Giovani José da Silva, que viveu oito anos entre os índios. Ele, inclusive, me emprestou um dicionário português-kadiweu e deu algumas dicas sobre o comportamento das índias.
''Alma Gêmea'' fala sobre reencarnação. Você tem religião?
Sou batizada, fiz primeira comunhão, segui a tradição católica. Mas, depois que comecei a questionar coisas do tipo ''O que é que estou fazendo aqui?'' ou ''Que mundo é esse em que a gente vive?'', passei a entender melhor o mundo através do espiritismo. Hoje em dia, muita coisa fez sentido para mim. Alma gêmea, por exemplo, é como as pessoas chamam o encontro de dois seres que se completam, se entendem e se amam. Acho que isso, inclusive, pode acontecer com a mãe, uma irmã ou até mesmo uma amiga e não necessariamente apenas entre homem e mulher.
A Serena é sua quinta protagonista na tevê. A que você atribui isso? Sorte, talento ou um pouco dos dois?
O mais engraçado nisso tudo é que nunca pensei em ser atriz. Estava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos, quando recebi um convite do Ricardo Waddington para participar da reformulação de ''Malhação''. Ponderei por duas semanas. Na época, sonhava fazer Publicidade. Mas resolvi tentar. Sou o tipo de pessoa que adora um desafio. Então, cheguei ao Brasil numa quinta-feira e, na segunda, já estava gravando. Por outro lado, eu acredito que, se não tivesse competência, não teria emendado um trabalho no outro...
Com apenas 22 anos, você já protagonizou novela das oito, minissérie de época, fez vilã... O que mais falta para você?
Na verdade, nunca achei que faltasse alguma coisa. Tenho uma família linda, saúde e sou muito feliz. Isso, para mim, já é tudo de que preciso. Profissionalmente, tenho vontade de fazer cinema e teatro. Disso, eu não abro mão.


