ENTREVISTA - Talento paranaense
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Assim que acabou de apresentar o filme ''Desmundo'', na sessão de pré-estréia em Curitiba, na última sexta-feira, a atriz Simone Spoladore saiu nervosa da sala lotada da Cinemateca. ''Acho que nunca tremi tanto em uma sessão de estréia'', brincou. A ansiedade tinha uma explicação. Simone saiu de Curitiba, ainda um rosto desconhecido, para encontrar a fama. Depois de aparições em sucessos como na minissérie ''Os Maias'' (exibido pela Rede Globo, em 2001), no papel de Maria Monforte, e da estréia no cinema em ''Lavoura Arcaica'' (2001), ambos dirigidos por Luiz Fernando Carvalho, voltar a sua cidade natal é sempre uma ''prova de fogo''.
Pois foi na capital paranaense que a jovem atriz, hoje com 25 anos, começou a fazer teatro profissional. Simone iniciou a carreira cedo, aos oito anos estudando balé. Aos 16 se profissionalizou no teatro e aos 18 fez o teste para ''Lavoura Arcaica'', filme que a projetou nacionalmente.
Para fazer ''Desmundo'', segundo longa-metragem de sua carreira, Simone concorreu com mais 150 atrizes e foi escolhida pelo diretor franco-brasileiro Alain Fresnot. ''Ela é uma atriz que aparenta um ar adolescente e tem garra e talento de veterana'', desmancha-se o diretor. No filme, atualmente em cartaz em Curitiba, Simone vive Oribela, uma jovem de 16 anos que chega ao Brasil junto a outras órfãs para desposar os primeiros colonizadores.
Na pré-estréia do filme, a atriz conversou com a Folha sobre seu trabalho e seus futuros projetos. Confira.
Quais foram as principais transformações que aconteceram na sua vida, pessoal e profissionalmente, desde que você saiu de Curitiba?
Engraçado, tudo muda, mas ao mesmo tempo não muda muita coisa. Eu sinto que sou a mesma. Eu comecei a vida em Curitiba, fazia teatro na cidade e acho que sair foi só a continuação de um trabalho. É claro, algumas coisas se transformam. Eu sou super apegada a minha família e agora estou morando sozinha no Rio de Janeiro. Mas acho que é essa a única coisa diferente, porque as coisas essenciais não mudaram.
Quando você saiu da cidade você tinha algumas pretensões. Você já as alcançou?
Acho que a gente nunca alcança o que a gente quer. Sempre tem mais para aprender e descobrir. Acho que eu estou começando o meu caminho e espero que eu tenha possibilidade de dar desenvolvimento a ele com intensidade, com amor e com dignidade.
Nesses últimos anos você já teve boas experiências no teatro, cinema e na televisão. Já dá para escolher um caminho?
Eu gosto dos três. Acho que um pode ajudar no outro. É difícil escolher porque cada um tem um jeito de fazer, uma característica. Você aprende fazendo daquele jeito e com aquele personagem e o que aprendeu leva para outro trabalho.
Dos personagens que você fez até agora, sempre personagens fortes, qual você sentiu mais dificuldade? Tem algum que tenha te marcado mais ou com quem você tenha se identificado?
Acho que todos os personagens que eu fiz em cada momento tiveram a sua força. Todos foram um desafio para mim. A Ana, a Maria Monforte, a Oribela... E agora eu estou fazendo a Laíde, de ''Vestido de Noiva'' (Nelson Rodrigues). Eu nem sei dizer qual é o mais difícil e nem o mais importante porque cada um teve um processo diferente, seja no cinema ou no teatro, mas acho que todos os personagens que fiz ampliaram de alguma forma a minha experiência como atriz.
Fale mais sobre o longa ''Vestido de Noiva'', que você está começando a filmar.
É um filme do Jofre Rodrigues, filho do Nelson Rodrigues. Eu estou fazendo a Laíde. A Marília Pêra faz a Madame Cleci, a Letícia Sabatella faz a Lúcia e o Marcos Winter faz o Pedro. Eu já conhecia o texto e é um universo muito rico, uma obra-prima que fala de tudo. Tudo o que está na vida, o Nelson Rodrigues conseguiu colocar no texto. Começamos a filmar no dia 1º e as filmagens acabam dia 10 de novembro®MD77¯ (o filme ainda não tem data para estréia). ®MDNM¯
E depois, quais são os seus planos?
Ainda não sei o que vou fazer. Não tenho nenhum contrato imediato, mas também não pretendo voltar para Curitiba. Gosto da cidade, mas não para morar.
E tem algum projeto que você tenha vontade de fazer?
Eu tenho um projeto com o Márcio Abreu (ator e diretor, também de Curitiba) que estou com vontade de fazer, mas ainda não sei quando. Também tenho vontade de voltar a trabalhar com o Fernando Kinas (atualmente em São Paulo). Já trabalhei com ele nos espetáculos ''R'' e ''Em Tudo o que Você Sabe Está Errado'', mas vou terminar de filmar ''Vestido de Noiva'' antes de decidir.


