ENTREVISTA - Talento acima de tudo
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2005
Mariana Trigo<br> TV Press 
Tony Ramos nem pensava em fazer outra novela tão cedo. ''Fiz uma promessa secreta que vou começar a diminuir o ritmo dos meus trabalhos'', entrega. Tanto que depois de emendar ''Cabocla'' e a minissérie ''Mad Maria'', o ator planejava passar uns tempos em Portugal. Mas parecia aguardar um bom motivo para adiar a longa viagem que planeja há tempos. Tony garante que foi surpreendido quando recebeu, ainda nos estúdios de ''Mad Maria'', a sinopse de ''Belíssima'' pelas mãos da diretora da trama, Denise Saraceni. Pouco antes, o autor Sílvio de Abreu já tinha ''rondado'' o ator, dizendo que gostaria de reunir pela primeira vez na tevê Tony e Glória Pires. ''Fui para casa e li a sinopse num final de semana e percebi o fascínio que seria fazer um grego legítimo, não mais um personagem descendente, e com toda a complexidade dessa cultura'', empolga-se. No folhetim global ele interpreta Nikos, personagem que, segundo o ator, foi concebido sem interferências externas. ''Eu precisava fazer o meu grego. Fui para casa e fiquei noites estudando. Comecei me interessando pela língua. Dizem que é complicada, coisa de grego. Puro engano'', garante Tony.
Você preferiu não ter referências de livros ou filmes para complementar a composição do Nikos. Por quê?
Queria zero de referências. Precisava ter o meu grego. Já fui logo avisando a produção: ''Não me mandem assistir nada que eu não vou ver'' (risos). Ele é solto, bebe e come muito, é largado. Faz a barba na sexta à noite e depois só na segunda pela manhã. Acharam que eu tinha engordado para fazer. Só não fiz regime. Ele não pode ser uma sílfide e se fingir de bêbado. Ele não é deprimido, é apenas um homem triste. Mas quando ele vê a Júlia, diz: ''O que fazer com cabeça! Tem cosas que coraçon non comanda!''. Não sei se dessa amizade vai nascer romance. No roteiro o Sílvio escreve: ''O resto eu guardo comigo...'' (risos).
Você gosta de tomar iniciativas não só nas composições, mas desde o início da sua carreira, quando foi bater na porta da Tupi para trabalhar. O que isso agrega no seu trabalho?
Tenho apenas o que todo ser humano devia ter: foco e objetividade na vida. Não me considero diferente de ninguém. Acredito no meu trabalho e me respeito antes de tudo. Não tenho hobbies, uso qualquer pasta de dente. Mas não sou simplezinho. Adoro coisas sofisticadas, comer bem, um bom vinho. Não vou ser hipócrita de dizer que não sou bem preparado pela vida e para a vida. Tenho consciência da minha função social como ator, do que significo para esta emissora e para quem me assiste há tantos anos. Mas isso não criou um diferencial em mim. Segui aquilo que me foi passado pela minha mãe, que se separou do meu pai quando eu era muito menino. Até ela se casar de novo se passaram 10 anos. A presença dela e da minha avó foram muito fortes na minha educação. Tive muito afeto, apesar do preconceito da sociedade. Ela me educou dizendo que a vida alheia não nos interessa. Por isso cumpro aquilo que é firmar o prestígio do meu nome com quem me emprega.
''Belíssima'' retrata a beleza em todos os sentidos, da beleza natural grega até o efêmero mundo das modelos. Como você avalia esse tema?
Eu duvido que todos não tenham uma vaidade, um amor próprio. A minha vaidade é muito relativa. Passa pelo caminho de eu estar bem comigo. Eu gosto do meu nariz, da minha barriguinha, do pneuzinho. Não estou nem aí... Sou resolvido comigo. Malhação só vejo às cinco horas da tarde (risos). Tenho esteira em casa, um transfer e uma tábua para abdominal. Tenho isso porque é uma questão de saúde. Vou fazer cinquenta e oito anos e brinco sempre que daqui a pouco são sessenta, com a graça de Deus! Corri muito na vida. Até uns quarenta e três anos eu fazia 10 mil metros todos os dias. Jogava tênis e futebol, mas sempre fui atarracado. São um metro e setenta e cinco sobre esse corpo de europeu mediterrâneo. Não vou me permitir ficar obeso pela minha saúde. Ainda quero brincar muito com os meus netos.


