ENTREVISTA - Tainá cresce e aparece
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sábado, 08 de janeiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo um olhar de relance aponta as origens da menina Eunice Baía, a jovem atriz do filme ''Tainá'' e ''Tainá 2 A Aventura Continua''. Com o corte de cabelo que lembra os índios brasileiros, ela usa brincos parecidos com os que a sua personagem, uma indiazinha que luta para defender os animais, exibe. Tudo isso contrastando com características típicas de uma menina de cidade grande: aparelho nos dentes, sapatos de couro trabalhado e uma caixinha de água de coco industrializada sendo sorvida. Descendente de índios da tribo Baré, Eunice vivia em Vila do Conde, a duas horas de barco de Belém do Pará, quando foi descoberta pela equipe de produção do primeiro longa, há sete anos. Desde então, vive em São Paulo, com a mãe adotiva Noêmia Duarte. Eunice esteve em Curitiba para divulgar o longa e falou com a reportagem da Folha 2. Confira a entrevista:
Como foi para você sair da sua cidade, fazer um filme como ''Tainá'', sem nunca ter ido ao cinema e ainda ser escalada para continuação do longa?
Foi uma grande experiência. Principalmente fazer o ''Tainá 2'' porque eu pude mostrar mais o meu trabalho. A Tainá cresceu ao mesmo tempo que eu cresci. Fazia praticamente sete anos que eu morava em São Paulo quando as filmagens do ''Tainá 2'' começaram. Para fazer o filme de novo eu tive que me acostumar novamente a filmar. Então eu fiz outro treinamento com a atriz Fátima Toledo.
Como foi e está sendo morar em São Paulo, uma cidade tão diferente de onde você nasceu?
Acho que eu comecei a aprender desde o começo de novo. É uma outra coisa, uma outra vida. Agora eu vivo com a minha mãe Noêmia, a ''Mamu'' e também comecei a estudar. Já passei para sétima série. Antes eu não tinha ido para escola.
No primeiro filme, você ainda não sabia ler. As pessoas te ajudavam a decorar a fala e você não conhecia o roteiro. Já em ''Tainá 2'', você já tinha essa possibilidade. Como você vê as duas experiências?
Acho que foi mais fácil. Em ''Tainá'' eu não sabia nada, eu tive que aprender. Mas em ''Tainá 2'' eu já sabia algumas coisas. O primeiro filme era mais uma brincadeira, eu era pequenininha. Agora foi mais sério.
Em ''Tainá 2'' tem a Catiti, interpretada por uma garotinha que tem uma história parecida com a sua...Você se reconheceu na história da pequena atriz?
Sim. Eu acompanhei a seleção do elenco e vi como ela foi escolhida. Até me vi nela. Ela não estudada, não sabia ler. Morava perto da minha cidade...
E houve uma cobrança, uma expectativa, da sua parte ou das pessoas, para fazer o ''Tainá 2''?
Acho que ninguém fala isso para mim. As pessoas falam que gostam mais do segundo filme. Que eu estou bem e tal. Eu estava estudando teatro, mas acho que teatro não é para mim. Eu tenho muita vergonha de fazer as coisas na frente das pessoas. Nesse ponto, o cinema é melhor. Também fiz algumas participações na televisão, como no quadro ''Repórter por um Dia'', do Fantástico. Se surgisse mais algum convite para a televisão eu acho que aceitaria. Mas quero mesmo é continuar estudando e fazer alguma coisa ligada à moda. Quero ser estilista.


