ENTREVISTA - Sempre avante
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Flávia Swerts<br> TV Press 
A expressão ''Fala garoto!'', criada por Serginho Groisman, é mais do que um simples bordão. Ela define muito bem o conceito que o apresentador busca imprimir a seus programas. ''Não faço programas sozinho, faço com os espectadores que estão lá. A platéia sabe que pode se expressar'', garante Serginho. Depois de começar na TV Cultura e de um longo período no SBT, chegou à Globo em 1999 e desde 2000 está no comando do eclético ''Altas Horas'', que completa quatro anos em outubro e também é exibido em vários países como Estados Unidos, Japão e Portugal. O sucesso entre os jovens lusitanos é tanto que Serginho deve festejar o aniversário do programa por lá, misturando portugueses e brasileiros na platéia. ''Vamos promover uma grande interação cultural, com todo mundo se entendendo'', adianta Serginho, empolgado com a idéia. Ele está cada vez mais safisfeito com o programa. ''Tudo o que eu quero fazer, estou podendo desenvolver no 'Altas Horas''', revela o apresentador.
Como vão ser as comemorações do quarto ano do programa?
A idéia é gravar três ou quatro programas em Portugal. Mas estamos avaliando os custos desse projeto. Também temos vontade de gravar programas no Japão e nos Estados Unidos. Em agosto, vamos para Brasília aproveitando a estrutura de um festival ''techno'', mas o programa não será apenas sobre música. Vamos aproveitar para falar de política e ouvir novas platéias. Pensamos ainda na possibilidade de fazer um programa itinerante pelo Brasil, conhecendo outros grupos e modos de vida.
O que mudou no 'Altas Horas' nesses quatro anos?
Quando entrei na Globo, eu já tinha muito claro o tipo de programa que gostaria de fazer. Eu tinha a idéia de democratizar um pouco a televisão. Queria fazer um programa ouvindo a voz da platéia. Como o ''Altas Horas'' é de madrugada, o primeiro ano foi uma solidificação de horário. Era preciso cativar a audiência e por isso as atrações eram mais populares. Com o tempo o programa foi ficando com a ''cara'' que eu queria, ou seja, diferente dos outros programas de auditório. Não há um formato definido. Faço reportagens, entrevistas e debates. Agora estamos produzindo a série ''Quatro brasileiros'' onde eu entrevistei Fernanda Montenegro, Oscar Niemeyer e ainda vou falar com Caetano Veloso e Luiz Fernando Veríssimo.
O que é preciso fazer para que o programa não caia na mesmice?
Estamos sempre buscando diversificar as atrações. Procuro levar pessoas que não aparecem muito na tevê, como Egberto Gismonti e Yamandu Costa. A Globo lida muito bem com isso. O programa é líder no horário e o retorno comercial é bom. Também promovemos encontros musicais, como o que aconteceu entre a banda de rock Ira! e o cantor Jerry Adriani. Agora em julho, o saxofonista Paulo Moura e instrumentista Yamandu Costa vão tocar juntos. Ainda nesse mês, vamos exibir uma entrevista que eu fiz com o Pelé e no sábado do ''Criança Esperança'' estaremos fazendo um debate com ONGs e entrevistando Renato Aragão.
Você está preparando alguma novidade para o ''Altas Horas''?
Não penso em mudanças radicais. Gosto do programa do jeito que ele está agora. Mas estamos sempre procurando levar algo novo para o público. Vamos colocar um quarteto de cordas para acompanhar algumas atrações musicais e haverá um ''laptop'' percorrendo a platéia para que as pessoas digitem suas perguntas. Elas vão aparecer no telão e os convidados respondem. Gostaria de melhorar um pouco o horário. Não queria que o programa fosse ao ar depois de uma da manhã, como às vezes acontece.
Além do ''Altas Horas'', quais são seus novos projetos?
Estou em fase de pré-produção de um programa na TV Futura que vai abordar a vida escolar de pessoas conhecidas. Iremos entrevistar os artistas e depois vamos ver a situação atual da escola em que eles estudaram. Vamos ainda conversar com professores, com amigos da época de escola e ver o boletim das personalidades.


