ENTREVISTA - Sem medo do serviço
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2003
Daniela Valente<br>TV Press 
Em ''A Diarista'', um dos especiais de fim de ano da Globo, a atriz e comediante Cláudia Rodrigues vive a bem-humorada Marinete faxineira que, a cada dia, está em uma casa diferente. ''É uma personagem com características muito diversificadas'', empolga-se a atriz. O programa será exibido dia 21 de dezembro, após o ''Fantástico'', e terá direção de José Alvarenga Júnior, que dirigiu ''Os Normais. A idéia é que sirva de piloto para um novo seriado semanal da Globo em 2004.
Apesar de adorar ouvir as gargalhadas do público, Cláudia sai do estilo cômico de vez em quando. Já participou de alguns seriados globais, produções infantis, peças de teatro, filmes da Xuxa e acabou de escrever o livro ''Mãe na Linha'', em parceria com a ex-paquita e atriz Andréa Veiga. A publicação é uma espécie de manual ilustrado sobre a gravidez e foi lançado pela Editora Globo. ''Tenho muita vontade de trabalhar. Seja em programas de humor, novelas, minisséries, teatro, cinema'', avisa.
Será que ''A Diarista'' vai conseguir ''trabalho fixo'' em 2004?
O programa tem um apelo popular muito forte, não só pela personagem em si. As relações entre a diarista e os patrões dos vários lugares onde ela trabalha vão causar empatia direta com os universos dos chefes e dos empregados. Durante a história, Marinete circula por várias casas e contracena com personagens que, se o piloto for aprovado, podem ser fixos ou não. Cassio Gabus Mendes, Marisa Orth, Ailton Graça, Ernesto Piccolo, Dira Paes são alguns dos atores participantes. Acho que ''A Diarista'' veio para pegar no serviço em horário integral...
Quais as características da Marinete?
Embora seja extremamente popular, essa diarista tem um contorno humano muito nítido. As atitudes dela e a maneira como se relaciona com os outros trazem uma carga de humor e emoção que fazem com que todo mundo reconheça que tem, teve ou terá uma Marinete por perto.
Como você se inspira para criar seus personagens?
Sou adepta a laboratório e o tempo todo estou observando o mundo. Alguns personagens, acho que já nasceram comigo, porque quando paro para pensar onde me inspirei, percebo que já criei. Cada um sempre carrega um pouquinho do ator. Penso que todos têm composições bem específicas, pois me preocupo em diferenciá-los. Sempre que sou abordada, recebo elogios a cada personagem que interpreto. Me escrevem cartas contando a predileção de uma interpretação minha ou a identificação com outra.
Por que você optou por ser comediante?
Não tinha pretensão de ser atriz, mas me apaixonei pela profissão. Em 91, meu irmão faleceu e a atriz Rosane Gofman estava inaugurando sua escola profissionalizante de teatro. Como eu já havia feito um curso de interpretação livre com ela e estava passando por um momento muito delicado, Rosane me deu uma bolsa de estudos na escola. Fiz o curso de três anos e, quando me formei, recebi um convite para interpretar o papel-título da peça ''O Menino Repolho''. A partir de então, não larguei mais a vida artística. Sou formada em Educação Física e dava aulas de natação para alunos de primeiro e segundo graus. Mas em 96, quando fui convidada para fazer a novelinha ''Caça Talentos'', os horários não conciliavam mais e tive de abandonar a área de Educação Física. Quanto ao humor, considero um presente receber as risadas do público como resposta a um trabalho.


